sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Temperança, quarta virtude Cardinais

A temperança é a virtude da medida certa, que modela a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Para adquiri-la é necessário que eu reconheça a minha medida e os meus limites, devo reconhecer do que sou capaz e quais sãos as minhas habilidades.

Para isso é preciso ir até o limite da nossa capacidade. É certo que hora ela poderá passar da medida e até extrapolar, e hora ela poderá ficar apenas na superfície e nem se quer provar do sabor da medida certa, tudo depende do domínio que a temos sobre a nossa vontade e o impulso do nosso instinto.

A temperança é como uma bússola que harmoniza e mantém os nossos desejos dentro dos limites da honestidade.

Em grego, tal virtude significa sensatez que ordena (phrosyne). Já os espanhóis a chamam de“temperare”, e que lembra “tempero no ponto certo”, que significa ordenar de modo adequado, unir, refrear, resguardar-se.

Jesus na cerimônia do “lava-pés” nos ensina a medida certa no servir; “se, pois eu o Senhor e Mestre vos lavaram os pés, vós devereis também vos lavar os pés uns dos outros”. João 13,14

E quando se trata de amar, a medida certa é o próprio Jesus; “Como eu vos amei, vos também, amai-vos uns aos outros”. João 13,34

Paulo também se aplica viver de modo ordenado refreando as paixões e buscando o seu equilíbrio na medida do Espírito Santo. Para ele é o Espírito Santo que dá ao homem o equilíbrio necessário para viver sem excesso e sem desmedida.

Quem não vive de acordo com a sua medida, adoece, se stressa e vive sobrecarregado de tensões e amargor. Ao mesmo tempo, buscar a medida certa nos disciplina do comodismo, do medo, da falta de audácia de arriscar diante de um desafio e das situações difíceis do nosso dia a dia.

Ultrapassar a medida não é o ponto certo, mas já é um bom começo, pois é sinal que passei por ela “pela medida certa”, agora é retornar e trabalhar para se estabilizar nela. É melhor do que ficar estancado no ponto de partida. Daí é que vem a temperança, pois de tanto tentar acertar vamos criando tempera até adquirir um equilíbrio estável. Só assim vou saber do que sou capaz e quais são os limites das minhas próprias medidas.

O objetivo desta virtude é trazer serenidade para a nossa alma, equilíbrio interno, é estar em harmonia comigo mesmo.

Maria foi adquirindo equilíbrio na medida em que ela ia se lançando nos braços de Deus, nos desígnios de Deus. Para ela, a sua medida era o próprio Deus, o que conta e faz a diferença é à medida que Deus escolheu para nós.

A cada um de nós há uma medida certa escolhida por Deus, mas nós podemos olhar para Maria que é a“Forma Dei”, que, segundo São Luís Grignion de Montfort, Maria tem em si a forma certa pela qual Deus que é a medida certa foi gerado. Podemos usar Maria como medida para descobrirmos a nossa própria medida.

Lembre-se, que um caminho de mudança pessoal exige conhecer a nossa própria história e as nossas tendências, a fim de desfrutarmos das nossas capacidades sem exceder os nossos limites. A temperança pode nos ajudar aprimorar este caminho. Aproveite!

Deus abençoe você!

Com carinho Marcelo Pereira

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Prudência, segunda virtude Cardinais

No artigo anterior vimos a JUSTIÇA como a primeira virtude cardinal. Hoje vamos entender qual é a virtude que se assemelha a inteligência do coração.
A PRUDÊNCIA é uma maneira prática que através da razão é capaz de discernir em qualquer circunstância nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. Cat 1806
São Tomás de Aquino associa a prudência com a palavra providência. Já em alemão a palavra prudente “KLUG” significa fino, delicado, gracioso, culto, desenvolto, corajoso e efusivo.

Ser prudente também é ser inteligente. São Tomas de Aquino dizia que a prudência sempre pressupõe o reconhecimento do bem. Excede o simples saber e encontra-se sempre ligada a ação. Não é uma questão de saber ou de ter conhecimento aguçado, mas é uma inteligência que apura e reconhece a realidade de forma correta, para, a partir deste princípio saber como agir. A prudência é o modo necessário para que a nossa vida tenha êxito. O próprio S. Tomás cita Aristóteles onde ele acreditava que a prudência constitui a condição prévia para todas as virtudes, como que guia das virtudes, “uma regra e a medida certa da ação”.
É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência, ordenando a conduta do homem segundo este juízo com a finalidade de praticar o bem e evitar o mal.
Quem é prudente consegue enxergar além da situação atual e avaliar-se uma determinada ação, realmente a prudência constitui um caminho para realizarmos um determinado objetivo.
Jesus tece elogios ao homem prudente que construiu a casa sobre a rocha. Elogia até a prudência de um administrador infiel e injusto. Faz um paralelo entre as virgens tolas e as prudentes. Jesus usa a prudência como medida para quem pretende se dedicar a um empreendimento. Em fim, a prudência é a atitude que torna o homem inteligente e faz sua vida ter êxito.
A pessoa prudente não pensa apenas com o intelecto, e sim com o coração. Quem a ela descobre, descobre também o caminho para o sucesso de ter uma vida plena de realizações boas.
A próxima virtude que vamos estudar será a FORTALEZA.

Deus abençoe você!

Com carinho Marcelo Pereira

Justiça, primeira virtude Cardeal

A primeira virtude que vamos tocar é a justiça. Platão afirmava que a justiça é a virtude daquele que estabeleceu o equilíbrio entre o espírito (mous), honra pessoal (thymos) e desejo (epithynia) que imprime assim uma característica da alma.
O Catecismo da Igreja Católica define a justiça como a virtude que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que Lhe é devido.
São Duas referências. Ser justo para com Deus e ser justo para com o próximo. Um não pode ser menos que a outra, pois as duas andam juntas. A virtude está na pessoa, seja com Deus ou com o próximo a atitude é a mesma. Uma pessoa justa é aquela que faz jus ao seu próprio ser.
Na idade Média, a justiça sempre foi representada por uma mulher segurando uma balança e uma espada na mão. Seus olhos se encontram vedados, para que nenhuma inverdade lhe a cegue, mas ao contrário, toma suas decisões sem olhar para a pessoa. Considera tanto o assunto como também o ser humano com todas as suas particularidades.
Um exemplo típico que define uma pessoa justa é a do Rei Salomão em I Reis 3,16-22 que se vê como juiz entre duas mães que brigavam pela maternidade de um filho onde as duas diziam ser a mãe da criança. O Rei Salomão usou de muita sabedoria e julgou com justiça ao intuir o que era correto fazer naquele momento. Salomão levou em consideração não apenas a pessoa, mas também o assunto e agiu com clareza e de forma certa para descobrir a verdadeira mãe.
A justiça ajuda-nos a desmascarar a tendência do pecado original nos devolvendo ao estado de santidade e de justiça original. Cat 375
Sem justiça não há harmonia entre a alma e o corpo, entre o homem e a mulher, entre a criação e o Criador.
Aqui no Brasil se fala muito em justiça, justamente por que aqui a corrupção é que predomina as muitas classes sociais e políticas. O homem tem sede e fome de justiça, mas deve ele saber que a justiça não é dada e nem comprada, ela é uma característica da alma, uma marca original impressa pelo Criador no caráter de cada pessoa, como uma bússola que guia a suas ações, como fonte clara que fertiliza tudo o que ela realiza.
Maria é uma mulher extremamente justa. Embora ela não levasse o mesmo título de seu esposo S. José, como homem justo, mas Maria demonstrou tanto quanto ele que sua alma tinha essa característica sim, mas que vinha pela sua Imaculada Conceição, sem a mancha do pecado original, sem o risco de perder sua santidade e sua justiça original.
Só isso já faria de Maria uma mulher completamente justa, mas ela foi além, sem usar de nenhum pretexto sobrenatural, ela agiu de forma justa diante de Deus, mas sobre tudo diante dos homens.
Maria é para nós um modelo seguro de justiça, ela é Imaculada e se manteve em estado de justiça original durante toda a sua vida.
Peçamos a ela que nos ensine a viver justamente, a fim de que também nós alcancemos a santidade original. Que assim seja!

A próxima virtude será a “prudência”, fique atento...

Marcelo Pereira

Fortaleza, terceira virtude Cardinais

A virtude da fortaleza é conhecida também como a virtude da “coragem” que em alemão se lê “Tapfer”, que significa; firmeza, pesado, militante, audaz, efusivo.

A fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem, e pode nos tornar capazes de vencer todo o medo, inclusivo o medo da morte. Cat 1808

A pessoa corajosa é aquela que assume a si mesma e que persegui de modo conseqüente aquilo que reconhecemos como certo. Quem é corajoso não muda de opinião em função dos seus conflitos. Quem é corajoso não se deixa derrubar facilmente, ele está enraizado e transmite estabilidade.

Eu gosto muito de uma definição que Dom Serafim, Bispo Emérito do Santuário de Fátima em Portugal, que por muitas vezes eu o escutei ele explicar o significado da palavra coragem.

Segundo ele, a palavra “coragem”, vem da junção das duas palavras; (coração+agir) que unidas significa coração que age, ou agir com o coração. Eu achei lindo e profundo esta explicação e nunca mais esqueci, pois não se trata apenas de uma coragem externa, superficial, mas representa uma coragem que vem de dentro do coração e que é capaz de enfrentar qualquer medo ou desafio.

A pessoa corajosa dispõe de uma fortaleza comparada a de um grande exercito. Quem era Davi diante daquele enorme Golias, ele era apenas uma criança, mas dispunha de uma coragem equivalente a de um guerreiro e assim ele venceu o terrível Golias pela sua audácia.

Audácia tem a ver com o saber e sabedoria. A pessoa corajosa não entra simplesmente em uma briga, primeiramente, ela torna-se ciente e sábia naquele momento, refletindo quais são de fato as suas condições, os seus limites, e só então decide avançar na luta munida de uma coragem que não está pautada na força física e nem mesmo nas armas, mas sim da força interior, a força do coração.

A pessoa sabia não é guiada por princípios abstratos e superficiais, e sim pelo seu coração.

Coragem também tem a ver com “resistir”, e daí vinha à motivação do Bispo de Fátima, pois sempre que ele nos via desesperados ou desmotivados diante dos grandes desafios que vivemos por lá nos inícios da missão Canção Nova em Portugal, Dom Serafim vinha como um pai nos recordar a virtude da coragem dizendo; “tenham coragem”, muito similar a uma frase bem conhecida do nosso querido fundador Monsenhor Jonas Abib, que por muitas vezes nos chacoalhava em suas pregações nos dizendo; “tenham coragem meus filhos!”.

Diante da dor e dos sofrimentos da vida, podemos agir com coragem. Diante das tribulações e da morte podemos dizer, “coragem”, pois “no mundo teremos tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” João 16,33

Lembre-se que a fortaleza ou a coragem, é uma virtude que recebemos de Deus como graça e fonte de força para a nossa alma, mas é também uma atitude que conquistamos a medida que trabalhamos na construção da imagem que Deus escolheu para nós.

No próximo artigo vamos estudar a virtude da medida certa, que é a “temperança”.

Deus abençoe você

Com carinho Marcelo Pereira

sexta-feira, 15 de maio de 2009

As quatro Virtudes Cardeais

As quatro Virtudes Cardeais

As quatro virtudes Cardeais surgem em primeira mão no livro de Sabedoria 8,7 como virtudes indispensáveis na vida de todo homem.

No Catecismo da Igreja Católica, estas quatro virtudes levam o nome de Cardeais e também tem nome similar com o mesmo sentido:

- Justiça (que é justiça mesmo)

- Prudência (que é a inteligência)

- Temperança (que é a medida)

- Fortaleza (que vem da coragem)

As quatro virtudes Cardeais tem como objetivo desenvolver riquezas em nossas almas e de nos conduzir até o nosso verdadeiro eu.

Na bíblia encontramos estas palavras em diversas situações que de forma isolada uma da outra traduz muito bem o sentido a que elas se destinam. Da mesma forma que estudamos os 9 frutos do Espírito Santo sob o testemunho de Nossa Senhora, iremos seguir também o mesmo itinerário a fim de descobrir riquezas escondidas por de trás da vida de Nossa Senhora.

Vamos ver que necessitamos abastecer-nos destas fontes para que a nossa vida tenha êxito.

Nos próximos artigos vamos estudar cada uma destas virtudes, fique atento…

Com carinho, Marcelo Pereira

Autodomínio

Autodomínio, nono fruto do Espírito Santo

Com este fruto, estamos concluindo nossa reflexão sobre os noves frutos do Espírito Santo como fonte de vida interior. Para mim foi uma experiência enriquecedora refletir estes noves frutos sob o testemunho e a vida de Nossa Senhora.

Tentamos seguir a seqüência de Paulo nas cartas aos Gálatas, e parece que propositalmente o autodomínio foi o último fruto da sua lista, por ser um fruto que de certa forma depende um pouco dos outros.

Em grego a palavra “ENKRATEIA” firma o significado da palavra abstinência que é o caminho que se pode chegar ao autodomínio de si próprio. Em outras palavras podemos dizer que o autodomínio é a virtude de alguém que possuí domínio e poder sobre algo, mas sobre tudo sobre si mesmo.

Paulo tenta explicar este conceito quando ele fala do atleta, onde o atleta precisa cultivar uma seria disciplina se quer alcançar alguma vitória ou a coroa merecida. II Tim 2,4

O autodomínio se passa pelo exercício diário de dominar tudo aquilo que nos rouba a liberdade. É certo que hoje em dia a palavra liberdade também caiu no descrédito pelo fato de muitas pessoas tê-la confundido com a palavra libertinagem, mas a verdadeira liberdade é aquela em que eu tenho o domínio de escolher o que é certo e o que é conveniente para mim e para os outros. São Paulo também gosta muito de falar da liberdade da carne e a liberdade do Espírito, Gal 5,13. Para Paulo a carne em seus desejos, opõe-se ao Espírito Santo, e que seus frutos se distinguem uns dos outros. Daqui, saíram os noves frutos do Espírito Santo e também os frutos da carne que vamos refletir mais para frente. Isto justifica ser o último fruto citado por Paulo por ser também um dos mais difíceis de obter. Este autocontrole de si próprio é que vai nos proporcionar a viver a nossa vida com equilíbrio, e sem este fruto certamente será difícil ser santo, pois a santidade consiste em dominar todas as vontades do homem velho e viver segundo o homem novo transformado pelo Espírito Santo de Deus. Quem se deixa dominar por suas paixões perde a sua força interior.

Neste contexto quero apenas ressaltar a postura de Maria durante seu trajeto ao lado de Jesus na Paixão de Cristo. Quando o evangelista afirma dizendo que Maria se manteve de pé diante daquele suplicio que via passar seu filho Jesus, ele estava ao mesmo tempo dizendo que Maria tinha o controle em suas mãos de todas as suas emoções e sentimentos estigmatizados pelo sofrimento de cada estação que seus olhos contemplaram. Não se trata de uma repressão, e sim de uma escolha livre de dominar aqueles sentimentos que poderiam transmitir revolta ou desespero para Jesus. No filme do Mel Gipson é nítido que Jesus por muitas vezes se levanta do chão com um novo vigor quando ele conseguia fixar os seus olhos nos olhos de sua mãe no meio de toda aquela multidão.

Se quisermos produzir tais frutos, temos que tentar fixar nossos olhos nos olhos de Maria no meio das tantas dificuldades e obstáculos que nos cercam no dia a dia.

Espero poder ter ajudado você nesta simples partilha que caminhamos sob os noves frutos do Espírito Santo. E quero terminar afirmando que estes nove frutos nos são necessários para tornar a nossa vida plena e saudável.

Nos próximos artigos vamos conhecer as quatro virtudes cardinais.

Com carinho Marcelo Pereira

Paciência

Paciência, oitavo fruto do Espírito Santo

Estamos quase a concluir esta série dos 9 frutos do Espírito Santo. Hoje vamos refletir sobre o fruto da PACIÊNCIA.

São Pedro ao falar do dia do Senhor consegue traduzir muito bem o significado da palavra paciência. Ele diz; “Deus está demonstrando paciência para conosco, pois não quer que alguns se percam, mas que todos se salvem” II Pedro 3,9. Em outras palavras São Pedro está dizendo que Deus não teria necessidade de esperar mais tempo para intervir neste mundo, mas que pelo grande amor que Ele tem por cada um de nós, Ele usa de muita paciência para com aqueles que ainda não alcançaram a conversão necessária para a salvação. Por tanto, a paciência é um fruto necessário para lhe dar com os limites dos outros. Quem se apodera deste fruto é capaz de contemplar a bondade e a beleza que se esconde por detrás dos defeitos dos outros.

É bom lembrar que nós estamos em obras, nossa vida vai se construindo ao longo da história, e isso requer muita paciência. Quando estamos em construção em nossa casa ou mesmo uma simples reforma, nossa vida fica uma bagunça que só, irritamos com as coisas fora do lugar, com a poeira, barulho e toda demora que uma construção requer. É preciso usar de muita paciência que queremos experimentar a beleza que está por vim após a casa construída ou reformada. Depois de pronto a casa fica com um cheirinho de nova e aí tudo muda também dentro de nós, sentimos um vigor novo, um prazer de estar em casa e desfrutar da recompensa de ter tido paciência.

Agora imagina isso acontecendo conosco nesta casa que é o nosso coração. Nosso coração está em obra por toda vida e certamente só vamos contemplar está casa pronta na vida eterna.

Eu quis dizer tudo isso para afirmar a importância de tornar a nossa vida mais saudável.

Maria compreende perfeitamente este processo da paciência. Ela que usou de muito deste fruto diante de todos os desconfortos que o seu sim trouxe sobre si ao aceitar o plano de Deus em sua vida. Maria ganhou a predileção de Deus, mas também o sofrimento, perseguição, dor e uma vida inteira exigente. Não é a toa que ela leva o nome de Nossa Senhora das Dores, Mãe da paciência, Virgem dolorosa, ela que teve seu coração transpassado pela espada do sofrimento só venceu por que muito amou, mas apoderou-se do fruto da paciência para conseguir tal vitória.

Ser paciente não é ser passivo diante dos problemas, mas é uma virtude necessária para dialogar com o nosso mundo interior, nossas emoções e temperamentos e assim encontrar tempo para assimilar a melhor resposta, a mais adequada para cada situação.

Que Maria nos ensine o verdadeiro caminho da paciência para alcançarmos a salvação nossa e dos outros.

Com carinho Marcelo Pereira

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Amabilidade

Amabilidade, sétimo fruto do Espírito Santo

Estamos caminhando bem sob a linha de pensamento de S. Paulo narrado na Epístola aos Gálatas, onde Paulo destaca 9 frutos do Espírito Santo como fonte de vida interior capaz de nos ajudar a crescer em maturidade.

Gostaria de começar dizendo que a amabilidade deriva da palavra amável, que também pode ser manso ou PRAYTES, em grego. Jesus nos convida a aprender com Ele a sermos manso “amável” e humilde de coração. Mat 11,29. Logo, Jesus é um modelo por excelência na prática da amabilidade. Se quisermos um exemplo de quem vive ser amável, manso e humilde devemos olhar para Jesus sob todos os sentidos.

No dicionário amabilidade tem o seguinte significado; 1- qualidade de amável.
2- Delicadeza e atenção no trato; gentileza, afabilidade, cortesia. Embora sejam estes substantivo feminino, isto não restringe o destinatário nem se limita a uma questão de sexo. Tanto os homens como as mulheres podem e devem cultivar a amabilidade.

Uma pessoa amável é aquela capaz de agir com mansidão diante de situações que normalmente nos impulsiona a agressividade. É a capacidade de ser sereno e calmo diante do agressor e dar resposta diferente com amor e com serenidade a ponto de desconcertar o ato de agressão e rudez daquele momento. Em uma fração de segundos, uma pessoa amável busca o seu equilíbrio, pois ela sabe quem é e de que é capaz, por isto ela dialoga rapidamente com os frutos do Espírito Santo que também está nela e ali ela decide estar no centro, ponto cujo amor acontece. Isto não significa que uma pessoa amável não traz consigo o impulso da agressão e da rudez como se aceitasse tudo passivamente, não é isso, somos marcados pelo pecado original. Trata-se de uma serenidade superior, proveniente de uma sabedoria interior. Segundo Platão, tal atitude realça a marca de uma pessoa culta e nobre.

Um dos alunos que mais absorveu de Jesus esta característica foi o apostolo João, considerado o apostolo do amor, aquele que se reclinou sobre os ombros de Jesus na última ceia. Ele é quase um protótipo de Jesus na questão da amabilidade. Ninguém falou melhor sobre o amor do que João em suas 3 Epístolas do novo testamento.

Jesus diz que “os mansos de coração há de herdar a terra” Mat 5,4. Então num futuro breve não haverá espaço na terra para pessoas rudez e agressivas. Então o jeito é se adequar na mansidão para não ficar de fora. É uma questão de treino, aprendizado.

Vamos tecer os olhos sobre a pessoa de Maria. Ela trás vários títulos que caracteriza a amabilidade. “Mãe do amor”, “Mãe terna, serena, acolhedora, paciente, delicada, atenciosa, gentil”, “Mãe da Misericórdia”, e por aí vai. E onde Maria adquiriu todas estas virtudes? É claro que foi através de Jesus, sua escola se deu através do seu filho desde a sua infância, Maria já assimilava as atitudes de Jesus, não por que Ele era Deus, mas porque ele viveu sua vida na terra como homem, tudo semelhante ao homem com exceção do pecado, o resto foi igual a nós, mas por graça do SER Jesus viveu o perfeito amor em todas as coisas. O modelo para chegar à perfeição no amor como ressalta S. Paulo em Colossenses 3,14, é Jesus, este foi o modelo de Maria e continua sendo para nós também.

O mundo só vai conhecer o verdadeiro amor por meio de Jesus, fora D’Ele o amor será sempre imperfeito. É por isso que Maria continua sua missão na terra como foi em Fátima em plena guerra, ela pede o fim da violência que é a inimiga numero 1 da amabilidade.

A amabilidade significa a coragem de realizar, a partir de um equilíbrio interno, e de modo sereno e amável, aquilo que foi reconhecido como adequado.

Que Nossa Senhora nos ensine o caminho do perfeito amor, e que a violência morra na escolha que faremos em sermos amáveis e serenos diante de qualquer situação.

Deus abençoe você!

Com carinho Marcelo Pereira

Fidelidade, sexto fruto do Espírito Santo

A palavra fidelidade também é conhecida como PISTIS que traduz a palavra fé e confiança. Não se refere necessariamente a ter fé em Deus, mas sim a atitude de julgar capaz de ter confiança.

Normalmente uma pessoa fiel é sempre uma pessoa integra confiante em seus valores e rege a sua vida através do exercício da fidelidade. Em alemão a palavra fidelidade significa estabilidade, onde a pessoa está sempre no centro e estável. Ela não se deixa levar pela corrupção e desvaleres que a diminua ou a desestabiliza.

Daí, podemos dizer que uma pessoa fiel aos seus valores, sonhos, metas, leis e corretas tradições, é capaz de ter fé e confiança em si mesma, nos outros e principalmente em Deus.

A fidelidade não é um fruto que chega pronto, ela é conquistada durante boa parte da nossa vida no treinamento diário até conseguirmos estar no centro, sem titubear nem para frente nem para trás. Isto, nos deixa confiantes. Quando estamos centrados em nossa confiança e em nossa fé somos capazes de mover as pessoas ao nosso redor sem algum esforço.

No campo Espiritual isto se torna mais evidente ainda. A confiança em Deus pode nos poupar de muitos sofrimentos além de nos fazer tocar em grandes milagres. Já uma pessoa desconfiada perde muito tempo procurando explicações para tudo e razão para todas as coisas, e acaba não vivendo a dimensão sobrenatural que rege sobre nós através da confiança e a fé.

A fé e a confiança são as construtoras da fidelidade em nós. Quem atua em sua vida orientando-se na virtude da fidelidade sentir-se-á estável.

Quando olhamos para Maria podemos afirmar que ela é uma mulher estável, centrada nos valores que herdou na escola da vida, centrada sobre tudo na vontade de Deus. Sua confiança em si própria e em Deus é inquestionável, porém fruto de sua confiança e integridade. Maria não foi criada pronta para todas as virtudes que ela possui, mas foi moldada na vida e por isto, chegou à maturidade da fidelidade, equilibrada, no centro da sua integridade que gerou total confiança no plano que estava designado para sua vida.

Para ser integro é preciso antes ser fiel. A corrupção em qualquer gênero destrói qualquer estabilidade de ser fiel em qualquer coisa.

O mundo hoje se tornou uma escola que forma pessoas integras e corruptas, tudo depende da minha fidelidade aos reais valores que geri durante a minha vida e de forma especial, os valores da nossa fé cristã.

Não nos esqueçamos, a fidelidade é um fruto, mas somos nós que plantamos o que queremos colher. Se quisermos colher fidelidade temos que plantar confiança e fé.

Que Maria Santíssima nos coloque no centro, no centro de nós mesmos e no centro da vontade de Deus para que os frutos da fidelidade em nós, seja capaz de mudar a nossa desconfiança em fé.

Deus abençoe você!

Com carinho Marcelo Pereira

Generosidade, quinto fruto do Espírito Santo

Estamos caminhando sob os 9 frutos do Espírito Santo narrado por S. Paulo na carta aos Gálatas. A fonte é sempre o Espírito Santo, ninguém produziria tais frutos se não por meio do Espirito Santo de Deus.

Hoje vamos falar sobre a generosidade que em grego se escreve “makrothymia”. Este fruto é uma característica forte do nosso Deus. Ele não se deixa vencer em generosidade mesmo quando não merecemos.

A generosidade também produz outro fruto que é a paciência. Uma pessoa paciente tem sempre como pano de fundo a generosidade. Deus é extremamente paciente para conosco no que diz respeito a nossa conversão. S. Pedro em sua segunda carta diz que “Deus está demonstrando paciência conosco pois Ele não quer que nenhum de nós se perca, mas que todos cheguem a conversão”. II Pedro 3,9

Deus não é generoso simplesmente porque Ele quer ser generoso, mas Ele é para que sejamos também para com os outros.

Muitas vezes agimos como aquele devedor implacavelmente infiel narrado por S. Mateus no capítulo 18, 23-35. O rei lhe perdoou a sua divida de uma forma extremamente generosa, mas o servo devedor não agiu da mesma forma para com aqueles que lhes devia. Este exemplo demonstra a nossa fragilidade em sermos generosos e pacientes para com os outros. Mede-se o tamanho do coração de uma pessoa pela capacidade de ser generosa para com os outros. Quanto maior a generosidade, maior é o coração desta pessoa. É por isto que dizemos que Deus tem um coração grande porque a sua capacidade de ser generoso é extremamente grande.

A pessoa que tem o coração pequeno se aborrece facilmente com qualquer coisa e não sabe ser paciente com as limitações dos outros e nem de si próprio.

Maria também tinha um coração grande. Seu SIM estava permeado de generosidade, e por isso Deus pode salvar o mundo por meio do sim de Maria. Não foi um sim egoísta pensando em si apenas. Maria disse seu sim para os outros, pensando na salvação de todos.

Com a generosidade se pode salvar o mundo, expandir as fronteiras do coração e torná-lo grande o suficiente para acolher não só as qualidades, mas também os defeitos dos outros.

Que Nossa Senhora nos ajude e nos ensine a tornar o nosso sim generoso a ponto de tornar o nosso coração grande como o coração de Deus.

Com carinho Marcelo Pereira

Deus abençoe você!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Bondade, quarto fruto do Espirito Santo

Estamos na sequência dos 9 frutos do Espirito Santo. Já vimo até aqui os frutos; amor, paz e alegria, agora vamos ver o fruto da BONDADE.

A bondade é a tradução da palavra grega CHRESTOTES que significa honorabilidade e eficiência que produz em nós gentileza e suavidade. (capacidade de ser suave).

Dom Bosco dizia que, uma pessoa boa é aquela que pensa bem do outro, fala bem do outro e quer o bem do outro. É uma espécie de virtude do bem indispensável para produzir frutos bons em nós.

Uma pessoa verdadeiramente boa é capaz de se decepcionar repentinamente com alguém e ainda assim continuar amando, simplesmente porque ela foca com a lente da bondade que torna capaz de enxergar a fundo e entender que em cada pessoa há algo de bom escondido por de trás daquela atitude má.

Deus é insuperavelmente bom. Ele não se deixa vencer em generosidade e inúmeras vezes Ele olha para nós e vê que por trás das nossas maldades, misérias e pecados há algo bom, o suficiente para não nos deixar desanimarmos da continua busca pela superação do homem mal até redescobrirmos o homem bom que está dentro de nós.

Você já deve ter ouvido a música “Todo homem é bom” do compositor e cantor Grecco, interpretado por ele e também gravada pelo padre Fábio de Melo. Quando terminamos de ouvir a música chegamos à conclusão que de fato todo homem é bom e que não existe ninguém no mundo que não tenha no coração a semente da bondade. Esta semente precisa ser cultivada se não os frutos não crescem. Gandhi dizia que “no decorrer dos séculos o mal parece triunfar, mas no fim o bem sempre vence”. O exercício da bondade se passa em fazer o bem aos outros como diz Dom Bosco, pois um mau hábito pode ser vencido por um bom hábito segundo o professor Felipe Aquino. Quem usa deste binóculo vê mais longe, não fica preso as aparências, mas vê o coração, lugar do sagrado, altar onde o amor e a bondade é gerado e celebrada em nós. O coração é um altar porque é o lugar do sacrifício, pois muitas vezes ser bom é exigente, às vezes dói ser bom, ma a verdadeira bondade se passa pelo sacrifício do ser bom mesmo quando o outro não merece.

Quando olhamos para Maria no caminho do calvário acompanhando Jesus com os olhos, percebemos o quanto é difícil ser bom, mas foi ali que Maria aprendeu a maior lição sobre a bondade. Em momento algum Jesus condenou ou odiou o seus algozes que batiam, zombavam e cuspiam em seu rosto. Jesus sabia que aquelas atitudes eram periféricas, aqueles homens agiam na superfície do coração e não permitiam que a bondade que estava no coração deles enxergasse que Jesus era Deus ou ao menos um homem bom. O mal nos cega ver o bem no outro. Maria sempre foi uma mulher bondosa, a história mostra isto, mas foi na paixão que ela experimentou o ápice do ser bom.

Estamos entrando na semana santa, tempo oportuno para aprendermos com Jesus a sermos bons. Há uma frase que gosto muito de postar no meu blog fotosquefalam que diz; “não basta ser bom, é preciso mostrar ser bom”. A nossa bondade precisa ser visível se não o outro não vêem.

Sejas bom, custe o que custar!

Uma ótima semana santa pra você…

Com carinho Marcelo Pereira

Paz, terceiro fruto do Espírito Santo

Tal qual a ALEGRIA, a PAZ é um fruto do Espírito Santo indispensável para a construção dos relacionamentos.

Em hebraico a palavra paz é a tradução da palavra SHALOM, também muito conhecida em nosso vocabulário. A paz é conhecida ainda como “PACISCI” que significa travar uma conversa, negociar, fazer as pazes.

Moramos em um mundo violento, barulhento, cheio de conflitos e guerras, e é neste mundo que somos desafiados a cultivar a PAZ. Porém, para que a paz possa reinar sobre este mundo é preciso antes cultivá-la em nosso coração. É do nosso interior que surge a violência, as guerras, discórdias, intrigas e divisões, e a pior delas é quando nos separamos de Deus, a paz deixa de existir quando Deus não está mais presente em nossa vida.

Quando o Anjo Gabriel aparece a Maria na anunciação, ela ficou profundamente perturbada, mas o Anjo lhe disse; “Não temas Maria, pois obtiveste graça junto de Deus”. Luc 1,30

A paz foi rapidamente resgatada no coração de Maria porque Deus estava com ela, caso contrário, Maria teria entrado em pânico e colocado todo o plano de Deus a perder. Se nós estamos com Deus, nenhuma noticia ou situação poderá nos abalar, ainda que nos assustemos com ela. Mas, quando estamos distantes de Deus ou com o coração longe D’Ele, qualquer vento pode nos derrubar. Por isso, esta conquista da paz precisa acontecer antes de qualquer coisa dentro de nós, uma verdadeira reconciliação com Deus.

Note que até o nosso pecado retira a paz do nosso coração e ficamos propensos ao isolamento e a todo tipo de violência. São Paulo diz que o mau não é o que entra, mas o que sai de dentro de nós. A paz é uma forma de manter estes leões que estão dentro de nós acorrentados, tornando possível o fruto da paz reinar em nosso coração em nosso relacionamento com Deus e com os irmãos.

O medo também é uma forma de violência se não soubermos dominá-lo. Nossa Senhora não tinha pecados, mas como pessoa humana ela tinha medo, porém, administrado pelo fruto da paz, resultado do seu relacionamento com Deus. Sem Deus a paz é impossível, talvez seja por isso que moramos em um mundo tão violento, porque o mesmo tem abandonado a Deus.

O primeiro dia do ano é dedicado a PAZ, que traz como padroeira Nossa Senhora da Paz. Em Fátima-Portugal, Nossa Senhora aparece aos pastorinhos pedindo a paz ao mundo, e isto aconteceu em plena I guerra mundial. Maria está atenta a extinção da paz no mundo, ela se preocupa conosco, nós que ainda estamos neste vale de lágrimas, gemendo e chorando. Ela é a nossa advogada rogando para que a fonte que é Jesus, não seja extinta de dentro de nós.

Nossa Senhora Rainha da Paz, rogai por nós.

Com carinho Marcelo Pereira

A ALEGRIA, segundo fruto do Espírito Santo

O segundo fruto do Espírito Santo que vamos falar hoje é a ALEGRIA. Este fruto nasce da convivência social, pois ninguém é alegre e feliz sozinho, isolado no seu mundo.

Uma das evidências mais terríveis da nossa geração e a tristeza, fruto do isolamento que a vida moderna nos proporciona. Vivemos no apogeu da depressão, do stress físico e emocional. A tristeza é ausência de Deus, sinal de que estamos desconectados da fonte que é Deus. A tristeza é também a grande causadora da depressão e a conseqüência ao mesmo tempo. Dificilmente uma pessoa depressiva consegue sorrir ou ser alegre mesmo em momentos mais descontraídos.

Podemos dizer também que, a esperança e a confiança andam de mãos dadas com a alegria, quando uma ou outra deixa de existir o risco de desmoronarmos é muito provável.

A alegria ao contrário se torna um remédio contra a tristeza e a depressão. Rir um pouco todos os dias faz bem para as nossas almas, descarrega o peso da nossa face e alimenta a nossa esperança.

Você se recorda do filme do Pat Adams “A vida é bela”? Em meio ao caos das guerras e conflitos ele fazia a vida se parecer mais alegre para que a esperança não morresse nas pessoas. Veja, até no tratamento do Câncer a terapia do sorriso passou a ser um precioso remédio contra a desesperança. Uma pessoa alegre é capaz de prolongar a vida de uma pessoa abatida pelo Câncer e ocupar o lugar da tristeza que abate sobre as emoções destas pessoas.

Há uma frase que eu carrego comigo já faz muito tempo que diz “o verdadeiro herói é aquele que traz nos lábios um sorriso quando no coração despedaçado” Não é fácil traduzir isto na vida, eu mesmo ainda não alcancei está graça, mas estou a caminho, requer muito treino e sacrifício, mas também, não é algo impossível justamente por se tratar de um fruto cuja fonte está dentro de nós. É preciso cavar fundo em nosso coração para continuamente nos abastecer desta fonte.

Um exemplo muito palpável de quem superou a dor e o sofrimento e desfilou serenidade e alegria interior foi Maria a mãe de Jesus. Ela teve seu coração transpassado varias vezes pela lança do sofrimento, mas não se deixou abater pela tristeza e a desesperança. Maria se manteve de pé, firme e confiante naquele que dá sentido aos nossos sofrimentos.

A alegria de Maria não era de euforismo, muito menos se destacava por ser uma mulher sorridente, porém, a alegria de Maria vinha da sua confiança em Deus, da sua esperança mergulhada no Espírito Santo de Deus “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra”. A esperança lança fora toda tristeza e nos coloca em estado de confiança que gera em nós harmonia, paz e alegria. Está é a verdadeira alegria que o mundo não consegue nos dar, e para isso é preciso estarmos conectados na verdadeira fonte que é Deus. Só Ele pode nos sustentar em tempos sombrios e incertos.

Que Maria nos ensine a buscar na verdadeira fonte está alegria que é fruto da nossa confiança em Deus e transformar em verdadeiro remédio para a nossa própria alma, mas sobre tudo para as pessoas que estão ao nosso redor.

Ser alegres não é passar o tempo todo sorrindo, mas é sorrir o máximo de tempo que agüentarmos.

Deus abençoe você

Com carinho, Marcelo Pereira

Generosidade

Estamos caminhando sob os 9 frutos do Espírito Santo narrado por S. Paulo na carta aos Gálatas. A fonte é sempre o Espírito Santo, ninguém produziria tais frutos se não por meio do Espirito Santo de Deus.

Hoje vamos falar sobre a generosidade que em grego se escreve “makrothymia”. Este fruto é uma característica forte do nosso Deus. Ele não se deixa vencer em generosidade mesmo quando não merecemos.

A generosidade também produz outro fruto que é a paciência. Uma pessoa paciente tem sempre como pano de fundo a generosidade. Deus é extremamente paciente para conosco no que diz respeito a nossa conversão. S. Pedro em sua segunda carta diz que “Deus está demonstrando paciência conosco pois Ele não quer que nenhum de nós se perca, mas que todos cheguem a conversão". II Pedro 3,9

Deus não é generoso simplesmente porque Ele quer ser generoso, mas Ele é para que sejamos também para com os outros.

Muitas vezes agimos como aquele devedor implacavelmente infiel narrado por S. Mateus no capítulo 18, 23-35. O rei lhe perdoou a sua divida de uma forma extremamente generosa, mas o servo devedor não agiu da mesma forma para com aqueles que lhes devia. Este exemplo demonstra a nossa fragilidade em sermos generosos e pacientes para com os outros. Mede-se o tamanho do coração de uma pessoa pela capacidade de ser generosa para com os outros. Quanto maior a generosidade, maior é o coração desta pessoa. É por isto que dizemos que Deus tem um coração grande porque a sua capacidade de ser generoso é extremamente grande.

A pessoa que tem o coração pequeno se aborrece facilmente com qualquer coisa e não sabe ser paciente com as limitações dos outros e nem de si próprio.

Maria também tinha um coração grande. Seu SIM estava permeado de generosidade, e por isso Deus pode salvar o mundo por meio do sim de Maria. Não foi um sim egoísta pensando em si apenas. Maria disse seu sim para os outros, pensando na salvação de todos.

Com a generosidade se pode salvar o mundo, expandir as fronteiras do coração e torná-lo grande o suficiente para acolher não só as qualidades, mas também os defeitos dos outros.

Que Nossa Senhora nos ajude e nos ensine a tornar o nosso sim generoso a ponto de tornar o nosso coração grande como o coração de Deus.

Com carinho Marcelo Pereira

Deus abençoe você!

sexta-feira, 20 de março de 2009

O AMOR, fruto do Espirito Santo

Segundo artigo da série “Os nove frutos do Espirito Santo, como fonte interior que brota vida em nós”.

Hoje vamos falar do primeiro fruto do Espirito Santo. São Paulo em sua carta aos Gálatas descreve 9 frutos do Espirito Santo, e afirma ser possível experimenta-los apenas por obra do Espirito Santo. Gal 5,22

O AMOR é o primeiro fruto que aparece na lista de São Paulo, mas, não porque há uma hierarquia dos frutos, mas que providencialmente o amor aparece no topo da lista porque de fato, sem o amor todos os outros frutos deixariam de existir.

São Paulo em sua primeira carta aos Corintios afirma; “que sem amor, nada sou, nada lucro, mesmo que eu tenha praticado o maior ato de caridade” I Cor 13, sem amor o próprio ato se esvazia.

João declara “que quem não ama não descobriu a Deus, porque Deus é o próprio amor”. I Joa 4,8 Então é justo começarmos a falar dos frutos do Espirito Santo a partir do amor.

Olhando para Maria conseguimos perceber melhor este fruto. Ela é a mãe do amor, não porque ela muito amou simplesmente, mas, principalmente, por ela ter gerado em si o próprio amor que é Jesus, pois Deus é amor, o amor pelo qual Maria amou é fruto do amor pelo qual ela gerou em seu ventre. Maria aprendeu a amar com Jesus e como Jesus. A escola de Maria se deu na essência, ou seja, ela aprendeu direto da fonte onde brota o amor. Então João tem razão em dizer “que quem não ama não conheceu a Deus”, pois só em Deus é possível amar.

Neste sentido Maria é para nós a mãe do amor, ela não é a fonte, pois somente Deus é a fonte de todo amor, mas Maria é o canal por onde este amor passa. E aqui eu não estou falando de qualquer amor simplesmente, nem do amor que o mundo prega, mas sim, do amor eterno e verdadeiro que brota do coração de Deus.

O amor sobre tudo é um DOM como é também o maior mandamento da lei de Deus. Tudo começa e se finda no amor de Deus, no amor Ágape que em grego significa DOAÇÃO. Amar é doar-se ao outro, é deixar Deus ser em mim para o outro.

Este fruto que é transmitido através do Espirito Santo é que vai construir a nossa identidade espiritual, o nosso SER de Deus, filhos do amor de Deus. E se somos filhos, é sinal que temos uma mãe. A fonte é sempre Deus, o canal por onde este amor chega até nós é através do Espirito Santo. Maria é a parte prática desta ação, por meio do testemunho dela, visualizamos segundo a nossa capacidade de entendimento numa dimensão catequética e formativa, como produzir este fruto em nossa vida.

Quero pedir hoje, que Nossa Senhora a mãe do amor, nos ajude a conjugar o verbo amar em todas as nossas ações, e se assim procedermos seguindo o exemplo de Maria, é certo que isto fará a diferença no ambiente em que vivemos, tornando-nos pessoas capazes de transformar o mundo a partir de nós e dos que estão ao nosso redor através do amor.

Deus abençoe você!

Com carinho Marcelo Pereira

Os nove frutos do Espirito Santo

Poucas pessoas sabem da força interior que elas tem, como aquela historinha do Elefante que se deixa vencer por um animal muito, mais muito inferior a ele, no tamanho e na força. Se ele soubesse da força que tem, certamente o Elefante seria o rei da floresta.

Infelizmente nós somos assim também, com o Elefante, não acreditamos que podemos vencer os terríveis leões que estão dentro de nós, que basta um rugido nós estremecemos por completo.

Neste artigo vamos dar início sob a vida de Maria, a uma série com o tema “Os nove frutos do Espirito Santo, como fonte interior que brota vida em nós”. Gal 5,22-23

Maria é esposa do Espirito Santo, nela os dons se manifestaram de forma profunda a ponto do Espirito Santo torna-la modelo, meio pelo qual Cristo se fez carne. O ventre de Maria tornou-se o lugar ideal, uma forma perfeita para também nós, tornarmos um novo cristo.

Com Maria vamos aprender a administrar estes frutos do Espirito Santo que também são Dons gratuitos e necessários para termos uma vida sadia e equilibrada e ao fim de meditarmos estes nove frutos do Espirito Santo, vamos perceber que Deus nos presenteou com Dons especiais capaz de nos fazer vencer qualquer tribulação ou conflitos interior e exterior.

Seja bem vindo a está nova série como tema; “Os nove frutos do Espirito Santo, como fonte interior que brota vida em nós”

Fique atento ao proxímo artigo, que o primeiro fruto é o AMOR.

com carinho

Marcelo Pereira

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Canção Nova um Programa de Vida

Estamos trilhando um caminho de reflexão sob o tema “Canção Nova um Programa de Vida”

No primeiro artigo com o tema “Dia do Consagrado”, vimos à importância de consagrar não somente toda nossa vida a Deus, mas, sobretudo, todos nossos projetos, sonhos e metas que desejamos traçar para este ano.

No segundo artigo falamos de um “Programa de Via com Maria”, pois foi ela juntamente com José que apresentou Jesus no templo e com ele toda a sua missão. Devemos obter o auxilio da Santa Virgem Maria para termos um bom programa de vida.

No último artigo cujo tema foi “Um programa de vida no Espírito Santo”, vimos que é de suma importância que o Espírito Santo esteja na construção de todos os nossos planos, pois ele é a fonte de toda inspiração e o termômetro para discernir se estamos dentro da vontade de Deus ou não.

Hoje quero refletir um pouco com você por que a Canção Nova escolheu este lema para este ano de 2009. Você sabe que todos os anos a Canção Nova caminha sob algum lema que vai nortear as nossas atividades missionárias, como “Canção Nova um jeito de ser”, “Canção Nova do Jeito de Maria”, “Ser Canção Nova é bom demais”. Este ano o tema é “Canção Nova um Programa de Vida”.

Você sabe que a Canção Nova é uma referência para muitas pessoas. O seu jeito de ser, o seu modo de viver e a maneira de evangelizar é um diferencial muito necessário para a transformação deste mundo. De fato, está é a essência da Canção Nova, foi para isso que Deus a criou. Ela não é uma comunidade perfeita, temos muitos erros, mas por uma iniciativa amorosa de Deus, Ele nos escolheu para ser este fermento na massa, e enquanto vamos transformando a grande massa que é este mundo, Deus ao seu tempo também vai formando-nos para que sejamos cada vez mais um fermento eficaz e necessário no mundo de hoje.

Como eu disse acima, não somos perfeitos nem os únicos e muito menos os melhores, mas somos escolhidos e uma vez escolhidos cabe a nós dizer sim ou não. A nossa missão não é somente evangelizar, mas principalmente deixar-nos ser evangelizados. A nossa própria evangelização precisa nos atingir, e quando este processo acontece em nós então passamos a ser referência para os outros, a partir do nosso testemunho do nosso modo de vida, do nosso trabalho santificado, da nossa maneira de viver a pobreza e ao mesmo tempo a dependência de Deus em tudo, a Divina Providência que vai regendo a nossa vida, nosso jeito carismático de ser, nossa vida de oração, a nossa coragem de abraçar tantos desafios grandes, o viver reconciliados, a radicalidade e a busca do viver sem pecado tudo isso passou a fazer parte da vida de muitas pessoas que hoje forma conosco uma grande família. Este é o programa de Vida que a Canção Nova quer neste ano caminhar. Para nós da Canção Nova e da família Canção Nova, é um retomar as nossas origens e essência, mas para o mundo a nossa volta, o nosso jeito de ser e de viver o evangelho pode ser um ótimo programa de vida para nos aproximar cada vez mais daquilo que somos no coração de Deus.

É um convite, não existe um roteiro, nem mesmo uma fórmula, mas para todos nós a referência é o evangelho de Jesus Cristo, aqui está um código de santidade, um verdadeiro programa de vida para todos nós.

No próximo artigo vamos partilhar o tema; “Um programa de vida segundo o evangelho”, aguarde!

Deus abençoe você

Com carinho Marcelo Pereira

Um programa de vida no Espirito

Vimos no artigo anterior cujo tema “o dia do Consagrado” que Maria é indispensável em nossa vida dentro do programa de vida proposto para este ano de 2009.

Talvez você não saiba ainda, mas neste ano estaremos caminhando sobre o lema “Canção Nova um Programa de vida. E hoje quero partilhar com você a presença do Espírito Santo dentro deste programa de vida.

Desde o principio antes mesmo da criação do mundo o Espírito Santo já se fazia presente no projeto de Deus. Tudo foi criado com ele e através dele e nada foi feito sem ele. A própria terra era vazia e sem forma, mas o Espírito Santo pairava sobre ela e de forma maravilhosa ganhando vida e sentido.

Da mesma forma o Espírito Santo precisa estar dentro dos nossos projetos, sonhos e metas. Um programa de vida não é simplesmente fazer uma agenda de tudo que queremos viver durante o ano, mas fazer um programa em que Deus possa fazer parte da nossa vida, tendo Ele a liberdade de mudar ou confirmar aquilo que é bom para nós. Nem tudo que programamos para a nossa vida por mais das boas intenções que temos, nem sempre é de fato aquilo que precisamos. A presença do Espírito Santo neste programa é justamente para tornar eficazes os nossos projetos, para dar forma e vida a tudo que iremos realizar durante este ano. Por isso, que é um programa de vida.

No primeiro artigo sobre este tema fizemos a renovação da consagração a Deus de toda a nossa vida, projetos e sonhos. Hoje quero rezar ao Espírito Santo de Deus para convidá-lo a fazer parte deste programa, para que ele nos dê a graça de enxergar qual é a vontade de Deus em cada uma das nossas atitudes. Queremos estar abertos ao Espírito Santo a cada movimento do Céu em nossa direção, para que cada atitude minha tenha a sua aprovação, e aquilo que não for de Deus nem para meu bem e dos outros, que Tu tenhas a liberdade de mudar e que eu tenha a humildade de aceitar.

Que a Virgem Maria que se deixou ser guiada e moldada por Ti ó Espírito Santo, nos ensine e nos ajude a viver um programa de vida no Espírito Santo, amém!

No próximo artigo vamos falar sobre “Canção Nova um programa de vida”

Deus abençoe você!

Com carinho Marcelo

O que é o arrependimento quando não há escolhas

Estes dias estive refletindo sobre este tema; como se arrepender quando não há mais escolhas. Parece hipotético, mas no fundo tem um sentido muito interessante.

A vida toda, temos a oportunidade de lavar a alma por meio do arrependimento acompanhado pela conversão do coração. Este processo é longo e doloroso que se passa por duas vias; decidir por uma vida melhor ou permanecer no erro, ambas não esquivam o sofrimento, pois até mesmo para se converter dói, é como um parto, a vida que sai do ventre de uma mãe é linda e maravilhosa, mas o processo de nascimento é doloroso.

A primeira via depende única e exclusivamente de uma decisão nossa que comporta dor e sofrimento, porém com possibilidades de liberdade e felicidade até o fim da vida. Escolher nascer requer coragem, tal qual se converter requer renuncia.

Já a segunda via que é permanecer na vida velha, no erro, não depende muito da nossa escolha, pois permanecer no erro nem sempre é por uma escolha, mas sim, por falta de fazer alguma escolha sensata.

Agora, o que acontece quando o arrependimento não comporta mais escolhas?

Primeiro é preciso entende que o arrependimento antecede um processo de conversão, porque ninguém se converte sem antes não cai de joelho diante da própria consciência e se banhar nas lagrima da misericórdia de Deus, só depois deste autoconhecimento da nossa miséria é que conseguimos fazer escolhas maduras em direção a vida nova.

Então respondendo à pergunta a cima, podemos dizer que o arrependimento só não tem resultado quando morremos, pois com a morte o arrependimento morre também, simplesmente pelo fato do arrependimento ser um componente essencial e necessário para a conversão. No livro de Dande ele diz; “A alma só tem poder de escolha enquanto viva, portanto, viva se decide pelo céu ou pelo inferno, depois de morta, perde a capacidade de raciocinar e tomar decisões”. Com a morte não há mais possibilidade de se arrepender, muito menos de conversão, e este processo nos foi dado à vida toda.

Após a morte, o arrependimento não muda a nossa sorte, no mínimo se queremos ter a felicidade eterna precisaremos de purificação que não tem nada a ver com arrependimento. Neste sentido podemos dizer que a morte anula nossas possibilidades de escolhas e de mudanças por meio do arrependimento. Certamente a última escolha nossa seria o purgatório pautado não no arrependimento, mas sim na purificação das nossas más escolhas feitas em vida.

A vida é feita de escolhas, e o Céu é feito das nossas escolhas. Merecemos o Céu que escolhemos.

Deus abençoe todas as nossas escolhas, pois ainda há tempo para fazermos boas escolhas.

Marcelo Pereira

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O curioso caso de Benjamin Button

Certos filmes têm histórias que por si só já valem a ida ao cinema. Este é o caso de “O Curioso Caso de Benjamin Button”. O filme conta o drama baseado no clássico romance homônimo escrito por F. Scott Fitzgerald nos anos de 1920, Benjamin Button, (Brad Pitt), um homem que misteriosamente começa a rejuvenescer e passa a sofrer as bizarras conseqüências do fenômeno.

Benjamin, estranhamente, surge na história aos seus 80 e poucos anos - na New Orleans de 1918, quando a Primeira Guerra está chegando ao fim - e a partir disso começa a ficar mais jovem.

Agora veja o que é um instrumento nas mãos da pessoa certa. Uma obra da literatura pode sim se tornar um grande filme e ultrapassar as perspectivas do próprio livro como temos visto ultimamente em bons filmes, isso sim é adaptação.

O Curioso Caso de Benjamin Button, dirigido por David, traz a adaptação do conto homônimo de F. Scott Fitzgerald feita por Eric Roth a quem assina a versão final do roteiro e que por sinal é o mesmo de Forrest Gump e Robin Swicord (que recentemente estreou como diretora do longa O Clube de leitura da Jane Austin).

Veja o trailler

Eu particularmente, já fiz umas boas reflexões sobre o filme, mas confesso que ainda estou digerindo e ruminando a longitude que está história tem capacidade de nos levar através de uma boa reflexão. É difícil de imaginar uma pessoa nascendo aos 80 anos e construir sua vida de traz pra frente, ou seja, enquanto eu sigo o ciclo normal da minha natividade, Benjamin vem na contra-mão mostrar a vida de um outro ponto de vista, neste caso no ponto de vista de uma pessoa mais madura com a experiência de uma pessoa de 80 anos.

Veja o tlailer original

Na verdade, F. Scott Fitzgerald quis refletir sobre a velhice e a partir desta inspiração ele constrói uma história extraordinária que nos leva a entender a partir do ponto de vista do personagem Benjamin Button, o mundo misterioso dos idosos.

Como não estar convicto de que a humanidade tem caminhado para um programa de vida acelerado e modernizado fundado em uma qualidade de vida que despreza completamente aquele que não consegue acompanhar o ritmo. Certamente os nossos idosos passaram de integrante da humanidade para escorias do mundo modernizado.

Quem pode entender o que se passa na mente e no coração daqueles que um dia lutaram e trabalharam para que estivéssemos numa posição aceitável? Quem poderia explicar os tantos sentimentos de rejeição e abandono que se acumulam na consciência de um idoso esquecido em um asilo ou deixado para traz, sem falar daqueles que estão lá porque a família não tem tempo de cuidar ou não sabem como lidar com os limites da idade? Será que amanhã não será eu e você no lugar deste idoso? Que futuro nos espera quando a perna não conseguir corresponder mais o comando da mente? Quem será capaz de nos compreender quando a visão ficar turva, mãos tremulas, e a beleza escondida debaixo de umas tantas rugas?

O processo de envelhecimento faz parte do ciclo da vida e não pode ser excluído do programa de vida do homem, nem mesmo do homem moderno. Se aqueles que ditam as regras não incluírem em seus objetivos primordiais os cuidados necessários para dar qualidade de vida e inclusão social aos idosos, em pouco tempo Benjamin de Button deixara de ser um livro, e de um filme passará a ser real. O silêncio e a solidão dos nossos idosos reclamaram por justiça sob nossas consciências e o peso da nossa omissão pode nos levar para um asilo eterno.

Desculpa-me deter me delongado um pouco mais sobre este ponto de vista, mas o filme é muito mais abrangente ainda. Há uma cena no filme que não vou contar agora para não tirar o seu sabor de degustar o momento, mas diz que a velhice é um ótimo momento para se pedir e dar o perdão, pois a experiência vivida já é suficiente para reconhecer que não vale a pena levar magoas para a outra vida que nos espera.

Para alem destas reflexões, devo enfatizar aqui o maravilhoso trabalho de maquiagem e interpretação, pois os principais atores do filme tiveram que interpretar as três fases da idade de modo especial Brad Pitt interpretando Benjamin Button e Daisy por Cate Blanchet. (Não é a toa que o filme já conta com 13 indicações de Oscar.

No fundo no fundo, eu estou mesmo é te convidando para ir apreciar o filme, pois é um ótimo entretenimento educativo além de ser um lindo filme, e estou certo que você tirará muitas outras conclusões que irá te ajudar muito a ver a vida do ponto de vista do idoso que um dia todos nós seremos se Deus permitir.

Deus abençoe você

Marcelo Pereira

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Mãe escondida e secreta

Meditação do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

2 – Toda a sua vida Maria permaneceu oculta; por isso o Espirito Santo e a Igreja a chamam Alma Mater – Mãe escondida e secreta. Tão profunda era a sua humildade, que, para ela, o atrativo mais poderoso, mais constante era esconder-se de si mesma e de toda a criatura, para ser conhecida somente de Deus.

O segredo de Maria sempre foi a humildade. A palavra humildade vem da origem da palavra húmus, que significa “solo sobre nós” ou ainda “terra fértil”. Em outras palavras, húmus é o nível que nós estamos. Cada homem e cada mulher tem o mesmo nível de dignidade, de possibilidade de ação. A palavra humildade também deriva a palavra “humano”, ou seja, ser humilde significa estarmos todos no mesmo nível, ninguém é melhor ou pior do que o outro, todos estamos no mesmo plano de dignidade pois todos nós somos humanos e estamos todos no mesmo solo, num mesmo patamar de dignidade.

Maria se colocou no mesmo plano de todos os homens e mulheres, pois desta forma ela não se destacaria aos olhos humanos mas somente aos olhos de Deus. Na humildade de Maria se esconde um segredo que hoje o próprio Deus nos quer revelar, o segredo de ser um com o outro, de estar no mesmo plano de dignidade do outro, é exatamente isso que nos faz destacar aos olhos de Deus. Maria foi tão humilde, tão humana tão comum entre os homens que se destacou entre todas as outras mulheres “Bendita és tu entre todas as mulheres…”, apenas por ter eficaz no cumprimento da palavra humildade.

Não é com confetes ou com exageros que vamos atríar a atenção de Deus sobre nós, mas é com a santa humildade, como a Alma Mater (Mãe escondida e secreta ).

Quero pedir hoje que Maria, mãe da humildade nos ensine o segredo de sermos único aos olhos de Deus, mas comuns entre os outros a fim de termos dignidades iguais para que só Deus seja exaltado em nosso relacionamento. Hoje é um dia de nos consagrarmos a Maria, a sua santa humildade, ao seu Imaculado coração. Segue acima uma oração de consagração ao Imaculado Coração de Maria feito pelo Monsenhor Jonas Abib, em Fátima, no dia 11 de Maio de 2004, diante a Imagem de Nossa Senhora de Fátima na Capelinha das Aparições.

Marcelo Pereira

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Maria e o plano de salvação

Meditação do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

1 – O artigo primeiro do Tratado da Verdadeira Devoção a Virgem Maria já começa com uma frase significativa e profundamente escatológica.

“Foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio dela que ele deve reinar no mundo”

Veja, Maria está presente no inicio e fim do plano de Deus. No inicio, porque Deus quis precisar de uma mulher para que Cristo pudesse penetrar na vida humana. Deus poderia usar outra forma de fazer isto? Poderia! É claro que poderia, pois Ele é Deus e tem poder para isso, mas, a participação de um ser humano no plano de salvação também faz parte da sabedoria Divina de Deus. Maria foi a escolhida já antes da execução do plano para ser está intermediária, está porta pela qual Jesus pudesse ter acesso a cada um de nós.

Ela também está destinada para ser o intermédio do reinado de Cristo até a sua volta. Por tanto, Maria está presente não só no inicio e fim da história, mas principalmente no centro da história e do plano de Deus. Maria sempre estará em destaque em cada momento da história do homem. Já se somam mais de 2000 anos que uma avalanche de ideologias anticristã e até mesmo cristã como no caso dos evangélicos, que tentam rasurar está personagem da história, mas devo afirmar que Maria não foi desenhada por mãos humanas, mas pela própria vontade de Deus. Ele quis que fosse assim e será assim querendo ou não querendo. Também isso não é uma imposição de Deus, pois a salvação é para todos e é gratuita e recebe quem a deseja e a busca. Um coração fechado a está realidade fica apenas com a sensação de estar na verdade, mas no fundo não chega a ter o paladar e nem mesmo se sacia desta graça que é Maria na vida do homem.

Vamos fazer um caminho sob este alicerce que é Maria segundo o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria de São Luís Maria Grignion de Montifort. Este é apenas o artigo 1 do tratado. No próximo artigo vamos conhecer uma característica muito forte de Maria que comprova porque Maria é bendita entre todas as mulheres.

Marcelo Pereira – fatimahoje

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Peregrino da paz

Muitos de nós temos uma imagem de peregrinação muito limitada, pois estamos acostumados a restringir uma peregrinação sob forma de uma viagem religiosa a lugares santos, mas sempre com aquele impulso de retorno e com passagem de volta, ou seja, limitamo-nos a idéia de ir e voltar, de conhecer aquele lugar dos nossos sonhos, mas sempre com saudade da nossa casa do nosso lugar de costume familiar e social. Na filosofia e até mesmo na teologia encontramos uma visão bem mais ampla de ser peregrino, que não está limitado a hum lugar passageiro e apenas físico, mas sobre tudo místico e sobrenatural com uma perspectiva de tempo sem limites, ou seja, de uma dimensão eterna.

Ser peregrino da paz, não é uma viagem que tenha passagem de volta, ou que nos deixa com saudades das guerras, barulhos tão habituais como nos dias de hoje. Está viagem em busca da paz não pode estar limitada a um lugar nem mesmo a um tempo cronológico,pois não se trata de um monumento histórico nem de um patrimônio da humanidade. Também, o peregrino da paz não pode sentir saudades do que é ruim só porque já é um hábito, pois não devemos nos acostumar com este mundo de cão.Ao contrário, o peregrino da paz ele leva a vida toda para conquistar este destino, pois a paz é uma semente que é plantada na terra da dor, das guerras e de todos os tipos de sofrimentos. É no coração do homem violento que somos responsáveis em espalhar esta semente pois a árvore desta semente que é gerada é que vai trazer sombras de paz sobre nós em tempos de turbulência.
A palavra de Deus diz que; o que se planta sobre está terra é o que se colherá sobre ela. Se plantamos vingança, raiva, ódio, rancor, violência e falta de perdão, então já temos um futuro comprometido, mas a conseqüência maior e pior ainda está na dimensão espiritual, onde seremos julgados pelos frutos da nossas obras. A dimensão da paz precisa ser uma peregrinação permanente, como é o Céu. Somos peregrinos permanentes do Céu e está viagem também não tem volta, aliás, tem apenas uma conexão que fazemos após a morte para uma viagem muita mais interessante ainda, que é a viagem ao mundo do amor, onde não haverá sequer lembranças ou sensações de guerra ou violência, pois a dor e o sofrimento terá desaparecido se a semente da paz e do amor foi suficientemente plantado para garantir o bilhete da salvação.

A ausência da paz hoje talvez seja por falta de quem plantasse no passado, e a ausência da paz amanhã talvez seja por termos nós cansado de peregrinar semeando a paz, amor e o perdão pelos lugares e pessoas por onde Deus nos leva todos os dias a viajar.A escolha do futuro depende de nós,já que nós não tivemos oportunidade de escolher o nosso presente, porém, podemos escolher o nosso futuro, ou pelo menos o futuro dos outros que virão depois de nós.Que Nosa Senhora, Rainha da Paz interceda por nós para que nossa viagem nos leve a cidade do amor lugar predileto da paz.

com carinho Marcelo Pereira

quinta-feira, 10 de julho de 2008

As Trevas não são o contrário da luz…

Para a Glória de Cristo Rei e da Virgem Prudentíssima, Maria Mãe da Igreja!

”As Trevas não são o contrário da luz, mas a sua privação”. (Parte I)
(Santo Tomás de Aquino – De Malo, I, a. I, ad.5)

I – A Luz e as Trevas do Homem
A dignidade do ser humano vez ou outra é colocada em maior realce, infelizmente ela é debatida com maior vigor quando em dados momentos da história a humanidade é atacada de forma brutal, severa e inconseqüente. Vemos por excelência os sistemas de poder que usaram de suas ideologias para massacrar milhões de seres humanos, hora retirando-os de seus lares, famílias, amigos, de suas terras onde nasceram e cresceram; outrora usando da maquina da morte, ceifando vidas, violando a sacralidade do corpo, retirando deles aquilo que só ao Pai Eterno pertence e só Ele exerce pleno poder.
Focando nossas atenções no fim da primeira metade do século XX, vemos que a dignidade humana se tornou um termo recorrente, passou a compor o texto das inúmeras constituições chamadas de modernas, com o Estado Democrático de Direito encabeçando, com suas debilidades, o poder de zelar por sua aplicação. Com as Guerras Mundiais, a humanidade vítima de si própria, experimentou o amargo gosto da ignorância absoluta, ao presenciar o período negro do nazifacismo e do comunismo, onde milhões de homens e mulheres se tornaram alvo da crueldade sem precedentes. Um período negro, quando o poder dos “poderosos” desse mundo se construiu sob a bandeira da aniquilação dos opositores do regime comunista e do holocausto dos inimigos idealizados do nazifacismo; porém a humanidade, mesmo assim, fez uma experiência de si própria, logo, fez uma experiência de Deus, quando constatou que o “status quo” deveria ser rompido – Tal status era degradante, porque o ser humano era visto como um mero instrumento que seria manipulado e descartado com violência de acordo com os interesses dos operadores das máquinas de guerra – mulheres, grávidas, idosos, crianças, homens sofreram o peso da mão poderosa do comunismo e do nazifacismo. O poder se constituía sob a capa da desumanidade, por isso, opostamente ao desumano constatou-se o humano, o valor, a dignidade, a potência de ser e viver uma moral que rompe com as cadeias do poder, que usa da máquina estatal para a aniquilação. A vida é santa e deve ser mantida em detrimento da morte e da insanidade; não há nada no ser humano que não seja dado por Deus. Todo e qualquer lampejo que dignifica verdadeiramente a vida é decorrente do Absoluto. A assistência que Deus dá aos filhos através da razão, se faz porque toda experiência humana é incompleta e imperfeita se feita de forma egoísta, logo, fora de Deus; por isso não se pode retirar Deus da história humana que é história de Deus – a história pertence ao Criador da História -. Ter condições de se determinar livremente sem que isso incorra na morte, ou pior ainda, na morte idealizada por aqueles que detêm o poder, fruto de uma máquina mortífera planejada nas suas mais concretas minúcias, é elemento essencial para que os filhos de Deus possam ter a garantia de se manterem vivos, sem que a loucura seja a pauta do momento.
”As concepções de Hitler e de seus asseclas[…]. A mais dura quadra, a mais triste, a mais cruel, aquela que nos deixou marcados para o resto da vida foi a II Guerra Mundial […] judeus exterminados nos campos de concentração de Auschwitz, de Dachau […]. Antes, porém, experiências sem nenhum sentido científico utilizaram esses seres humanos como cobaias, legando a alguns sobreviventes, a seus amigos e familiares, e à humanidade como um todo lúgubres memórias e marcas indeléveis de dor e de aflição”. “Esse quadro de espanto e terror, bem sinaliza os fundamentos que estruturaram o estado alemão sob o signo do que se chamou de nacional-socialismo, em que Hitler, havendo haurido em Joseph Artur de Gobineu (1816/1882) os primeiros rudimentos para a montagem da catástrofe, promoveu a insana ação que resultou no morticínio de milhões de judeus, sob a monstruosa concepção de raça inferior e impura e coisas do gênero”(Supremo Tribunal Federal – Habeas Corpus 82424).
veja a segunda parte deste texto no proxímo artigo, aguarde…

por Carlos Eduardo Maculan

segunda-feira, 28 de abril de 2008

“Como ser um líder virtuoso”

Gostei muito de um texto que a Zenit publicou nesta semana sobre liderança. O título do texto é: “Como ser um líder virtuoso”, fruto de uma entrevista com Alexandre Havard, diretor do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Liderança.

Ele inicia dizendo que: “quanto mais profundamente se vivem as virtudes, mais se pode mudar a cultura”.

4256522-md.jpgA liderança é questão de caráter. O caráter é algo que podemos configurar moldar e fortalecer. Fortalecemos nosso caráter através da pratica habitual de hábitos morais saudáveis, chamados virtudes éticas ou morais. As virtudes são qualidades da mente, da vontade e do coração. Nós as adquirimos com nossos esforços. O ato próprio para adquiri-las é um ato de liderança. (Havard)

O caráter não é o temperamento. O temperamento é inato, é um produto da natureza. Podem ajudar no desenvolvimento de algumas virtudes e impedir outras.
As virtudes imprimem caráter em nosso temperamento, de modo que este já não nos domina. Se me faltam virtudes, serei um escravo de meu temperamento. As virtudes regulam o temperamento.
O temperamento não tem que ser um obstáculo para a liderança. O obstáculo real é a falta de caráter, é que nos deixa rapidamente secos, sem energia moral, e bastante incapaz para exercer a liderança. (Havard)

Os líderes têm de ser virtuosos para serem líderes reais e, já que a virtude é um hábito que se adquire com a prática, dizemos que os líderes não nascem eles se fazem.

E o que significa virtude?

As virtudes são mais que simples valores. As virtudes são forças dinâmicas. De fato, sua raiz em latim, «virtus», vem de força ou poder. Cada uma se é praticada habitualmente, reafirma progressivamente a própria capacidade para atuar.

Havard indica seis virtudes de forma especial. A magnanimidade, para lutar por coisas grandes e propor desafios a si mesmo e aos demais. A humildade, para superar o egoísmo e acostumar-se a servir os outros. A prudência, para tomar decisões justas. A valentia, para manter-se e resistir a todo tipo de pressões. O autocontrole, para subordinar as paixões ao espírito e ao cumprimento da missão, e a justiça, para dar a cada um o que merece. (Havard)

- A magnanimidade do líder está dirigida a servir os outros, sua família, clientes, colegas, seu país e toda a humanidade.
- Esta nobre ambição para servir é um dos frutos da linda virtude da humildade. As virtudes não tomam o lugar da competência profissional, mas são parte desta.
- Posso ter um diploma em psicologia e trabalhar como consultor, mas se não tenho prudência, eu me encontrarei com dificuldades para dar conselho a meus clientes.
- Posso ter um MBA [mestrado em administração de empresas] e ser um executivo de uma grande corporação, muito bem, mas se não tenho valentia, minha capacidade para liderar ante a dificuldade deixa a desejar. (Havard)

A liderança não exclui ninguém. A virtude é um hábito e se adquire por repetição.

Pode ser duro viver virtuosamente no contexto cultural atual, mas não é impossível. A capacidade de dizer «não» nos confere um grande poder. Somos livres para decidir até que ponto deixamos que a cultura atual nos afete.
Escolhemos livremente ser o que somos. Vício ou virtude? Depende de nós. A virtude implica e depende da liberdade. Não se pode forçar, é algo que escolhemos livremente. Se as praticamos assiduamente, o caminho para a liderança está aberto. A liderança começa quando usamos nossa responsabilidade livremente. (Havard)

Gente, pode até não parecer ser um texto com caráter religioso, mas é! Nós quanto pessoa cristã seriamos muito mais sucedidos na vida e na caminhada com a Igreja se alcançarmos sermos virtuosos.
Quero me motivar e motivar você, à busca dos valores e das virtudes que nos façam verdadeiros lideres.

Marcelo Pereira

quarta-feira, 23 de abril de 2008

FUGINDO DA ZONA DE CONFORTO

Um dos maiores inimigos da significativa realização é o conforto.

A maioria das pessoas estão tão preocupadas com a sua zona de conforto a ponto de não estarem dispostas a fazer aquilo que é necessário para serem bem sucedidas.

Ter que se defrontar com certas pessoas, aprender uma nova habilidade, apresentar as suas idéias, assumir riscos, trabalhar duro – tudo isto – é muito desconfortável, porém, absolutamente necessário na caminhada para uma vida bem sucedida.

Você tem que decidir se deseja uma vida de conforto ou uma vida de realizações.

Você pode ter qualquer coisa, fazer qualquer coisa, e ser aquilo que deseja ser, se simplesmente estiver disposto a dar um passo para fora da sua zona de conforto e tomar as decisões que, necessariamente, devem ser tomadas.

Dê uma boa examinada nas coisas que você faz todos os dias e pergunte a você mesmo por que é que está fazendo essas coisas.

Você as faz porque é familiar, confortável e por que oferecem segurança?

Você, porventura, se encontra ansioso em sair da sua aconchegante zona de conforto?

Porventura tem você evitado fazer certas coisas porque isso pode lhe causar um certo desconforto?

Não permita que você venha ficar muito confortável.

Um curto período de desconforto é muito melhor do que uma vida inteira de olhar desolador ao passado.

Texto de Nélio da Silva

segunda-feira, 10 de março de 2008

O Fundidor

São muitas as formas que a Bíblia tem para revelar a maneira que Deus trabalha na construção do seu Reino.
A Bíblia revela as múltiplas habilidades de Deus conhecedor de uma variedade de funções tal como; pai, pescador, construtor, administrador, carpinteiro, médico artista, escritor e tantas outras profissões, mas que me saltou aos olhos uma outra habilidade de Deus expressiva no livro do profeta Malaquias 3,3 “Porque ele é como o fogo do fundidor, como a lixívia dos lavradores. Sentar-se-á para fundir e purificar a prata; purificar os filhos de Levi e os refinará, como se refina o ouro e a prata”.
Providencialmente eu ouvi uma pessoa dizendo que também lhe chamara a atenção está especialidade de Deus como fundidor ao ler na Bíblia, e que lhe despertou a curiosidade de saber mais a fundo como funciona de fato a purificação do ouro e da prata. E lá foi ele em busca de aprofundar no tema. Explicava ele.
“Fui a uma funilaria e pedi autorização para acompanhar de perto o processo de purificação, me vesti com uma roupagem especial e me pus a acompanhar um homem também muito bem protegido por causa da alta temperatura, e ali segurando uma haste (uma espécie de concha gigante) onde estava uma quantidade de prata a uma temperatura muito alta no fogo. Observei atentamente, hora olhando para o rosto do fundidor, hora olhando para a prata, mas ao mesmo tempo tentando lhe fazer algumas perguntas. O fundidor por sua vez até respondia algumas das minhas perguntas, mas em momento algum ele desviava seus olhos da prata ao fogo. Na minha ignorância, pensei que aquele homem estava fazendo pouco caso de mim, mas a um determinado momento o fundidor se virá para mim dizendo: pronto, agora a prata está purificada, e indagou; me perdoe não ter te dado toda a atenção, mas é que o segredo da purificação da prata está justamente em conservar sempre fixo os olhos na prata até que ela reflita a mim mesmo, a minha imagem como que um espelho. Enquanto meu rosto não refletir na prata ela ainda não está purificada e também ela não pode passar do ponto, pois se não perde-se a prata. Foi por isso que eu não pude olhar para o senhor, disse o fundidor”.
Veja, que exemplo maravilhoso, Deus esta com os olhos fixo em nós, o tempo todo e só descansará quando estivermos refletindo a sua imagemem nós. Nós somos a “prata”, Deus é o fundidor e o fogo são as provações da vida. O nosso processo de purificação é diário e se passam em alta temperatura das diversas tribulações, sacrifícios e sofrimentos que vivemos. Tudo isso para alcançar o ponto exato da nossa purificação e só iremos descansar quando estivermos refletindo a imagem do grande fundidor que é Deus em nós.
Santo Agostinho diz que: “Quem está longe de Deus está longe de si mesmo, alienado de si mesmo, e só pode encontrar a si, se se encontrar com Deus”.
Neste sentido podemos dizer que quando uma pessoa se aproxima de nós ela precisa ver em nós ela mesma, pois o sinal de uma pessoa que encontrou a Deus, é quando ela encontra-se com sigo mesma. Estranho né, mas é isso mesmo!
Deus tem razão em se especializar em purificar a prata, pois somos mesmo muito semelhantes a prata e necessitados de purificação. É muito triste constatar que quando uma pessoa se aproxima de nós, não refletimos Deus nem ela e nem nós mesmos. Este é um sinal que estamos muito longe de Deus e alienados de nós mesmos.

Certamente Jesus não teve tempo de explicar sobre a purificação da prata no seu discurso “Sermão da Montanha” que só os puros verão a Deus Mat 5,8.

Enquanto estivermos em processo de purificação, a imagem de Deus será turva em nós. Por isso Senhor é que te pedimos a graça de agüentar firme no fogo da provação e que nada nos impeça de chegarmos ao ponto de refletirmos em nós a tua própria imagem, pois só os puros é que verão a Deus.

Deus abençoe você
Marcelo Pereira

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Oscar na visão da Igreja


L’osservatore Romano afirma que oscar 2008 foi marcado por filmes obscuros, violentos e sem esperança
Fevereiro 26, 2008

Cidade do Vaticano, - O jornal vaticano, L’Osservatore romano, publicou na sua edição desta segunda-feira uma crítica à noite do Oscar, em Hollywood, e a visão “decididamente pessimista que os Estados Unidos dão de si mesmos”.

”Hollywood foi atingida este ano por filmes obscuros, repletos de violência e, sobretudo, sem esperança. Provavelmente, são sinais dos nossos tempos”, escreve L’Osservatore.

Sobre a premiação dos filmes “Onde os fracos não têm vez” e “Sangue Negro”, o jornal vaticano considera que se trata de ”duas visões do mal que se confrontam, dois modos de contar a malvadeza por meio de imagens”.

Todavia, o diário comenta que não faltaram filmes “capazes de expressar emoções diferentes, com corajosas aberturas, como ‘Juno’, que narra a história de uma adolescente decidida a levar adiante uma gravidez indesejada, ou ‘O escafandro e a borboleta’, um hino à vida apesar de uma grave deficiência”.
fonte: Igreja Online

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Por que devemos cultivar a esperança?


Uma reflexão sobre a carta encíclica "Spe Salvi" de Bento XVI

Olhando o mundo que vivemos hoje constatamos uma dramática crise existencial, onde o homem se depara diante do espelho e não consegue mais reconhecer a sua própria identidade, quem ele é, de onde ele vem, se o que ele faz tem sentido e para onde ele se destina. O homem moderno cresce no conhecimento da ciência, da tecnologia, no desenvolvimento intelectual, socio-cultural e político, mas se perde fatalmente no conhecimento de si próprio.


A visão teológica e analítica do Papa Bento XVI em sua carta Encíclica "Spe Salvi", aponta para a terrível catástrofe que a cultura globalista e as iniciativas políticas inovadoras, mas sobre tudo anticristã, vem transformando o mundo atual em uma fanática cultura sombria de morte, empurrando assim o homem para um vale escuro, ausente de luz e da verdade.Os reais valores que diz respeito à dignidade do homem, como a “moral” e a “fé”, estão se tornando apenas ruínas na nossa vida, escombros de uma identidade perdida que deveria ser preservada pela "fé"e pela "esperança" muito bem explicada pelo papa nesta encíclica Spe Salvi. Uma vez que o homem perde este referencial “que é a sua identidade”, ele perde também a direção da sua vida, o sentido de viver, entrando assim em um grande desespero onde nem mesmo Deus justifica sua existência.Bento XVI refere-se a um pensamento de Santo Agostinho, que parece ser um dos seus autores prediletos que, “quem está longe de Deus também está longe de si mesmo, alienado de si mesmo, e só pode encontrar a si mesmo se se encontra com Deus”, S. Agostinho. Isto explica o grau de desespero que se encontra a humanidade. A distância de Deus equivale, portanto, à distância de si mesmos. «“Tu estavas, certamente, diante de mim, mas eu me havia afastado de mim mesmo e não me encontrava»“ S. Agostinho


Sem fé e sem esperança como explica Bento XVI nesta encíclica Spe Salvi, é impossível para o homem chegar ao seu destino. Em outras palavras; sem Deus o homem deixa de existir, pois a nossa existência só tem finalidade em Deus.“Somente em Deus o homem consegue chegar a seu verdadeiro eu, sua verdadeira identidade.” Bento XVI


veja a carta encíclica Spe Salvi na integra aqui:http://blog.cancaonova.com/fatimahoje/spe-salvi/


Reflexão: Marcelo Pereira

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

“O Caçador de Pipas”

A minha opinião a respeito da amizade e de ser um verdadeiro amigo, mudou depois que eu assisti o filme “O Caçador de Pipas”.
Se trata de um filme ultraortodoxo islâmico do Talebã, que revela os conflitos da guerra no Afeganistão, mas que, centraliza o ápice do seu roteiro em torno da amizade de dois garotos: Amir, um garoto rico (interpretado por Zekiria Ebrahimi, que hoje tem 11 anos), e Hassan, filho de um serviçal pobre. A profundidade da trama do filme colocou a AMIZADE no mais alto nível das virtudes no relacionamento entre duas pessoas. Estamos vivendo uma época em que as nossas carências pessoais tem tornado nossos relacionamentos em um verdadeiros conflito em torno da fidelidade e da confiança, onde aquela idéia que “aquele que encontrou um amigo encontrou um tesouro” ou “o amigo é aquele que é capaz de dar a vida por você”, está filosofia já não faz mais parte da linguagem cativante do “Pequeno Príncipe”, que dizia: “Cativar é criar laços”. Infelizmente a nossa inocência de amar, de cativar o outro, de conquistar amizades profundas tem nos deixado num mundo interior solitário e escuro.
“O Caçador de Pipas” representa um suspiro, um grito de socorro a meio a esta turbulência que nos contagiou e que revela grandes feridas do nosso coração. Hassan, com um caráter e com uma dignidade invejável, se torna um ícone do amigo verdadeiro, um símbolo da perfeita amizade e um exemplo seguro que podemos seguir para alcançar a virtude do amor e da humildade. Já Amir, representa o homem ferido, machucado, incapaz de reconhecer seu próprio medo, sua própria fraqueza e de assumir que nunca é tarde para ser bom, para fazer o bem e ter uma consciência honrosa.
O filme é tão impactante que os meninos que o protagonizaram tiveram de fugir do Afeganistão, depois de terem sido ameaçados por seus compatriotas. Isso porque uma cena de abuso sexual enfureceu parte da população islâmica local. O lançamento do filme foi adiado em seis semanas para dar tempo suficiente para a mudança dos atores-mirins para fora do país.

Em fim, este filme demonstra que o perdão e a possibilidade de mudanças é possíveis no mundo de hoje, e que todos nós temos necessidade de amar e expressar este amor pelo outro que passa pelos trilhos da amizade e que tem como destino a conquista do amigo, do amigo puro, verdadeiro e fiel.
Depois de assistir este filme eu diria que: “Quem encontrou um amigo, encontrou o remédio para suas feridas e uma motivação para recomeçar uma nova história”.

Marcelo Pereira