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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Quem é esta que avança como aurora…

Maria é esta aurora que precede a luz do sol da justiça que é Jesus. A sua luz não ofusca a luz de Cristo porque o sol é a luz em potencial. Cristo é a luz do mundo em potencial, contudo, nos últimos tempos Maria deve brilhar em amor, misericórdia, força e graça como jamais brilhou em toda a história.
Paulo VI disse uma vez que; “em Maria os raios da beleza humana se encontra com os raios da Beleza Divina que é Deus”. Isto significa que a luz de Deus projetada em seu Filho Jesus se funde com o brilho da Luz de Maira, elas se encontram na mesma dimensão de beleza e pureza.
Nos inícios, durante a sua vida na terra, Maria quase não aparece em destaque, mesmo nos quatro evangelhos escritos pelos quatro evangelistas que viveram ao seu lado, mas isso não significa que a luz de Maria não brilhou entre eles, certamente por que maior que seu brilho e beleza era a sua humildade, que como um hábito, escondia sua beleza e graça aos olhos dos homens sendo apenas visível aos olhos de Deus.

Mas no decorrer da história, mais precisamente no fim dos tempos Maria deverá ser reconhecida e revelada pelo Espírito Santo a fim de que por ela Jesus seja mais conhecido e amado. É por Maria que as almas são chamadas a brilhar em santidade e graças.
Por ela Jesus veio pela primeira vez por obra do Espírito Santo, e por ela virá novamente na sua segunda vinda. Também é por meio dela que haveremos de nos encontrar com Jesus. É um canal único pelo qual Deus haverá de unir o céu e a terra, uma porta brilhante por onde Deus passa para chegar até nós e ao mesmo tempo é a porta pelo qual devemos usar para chegar até Deus.
Este é um grande sinal de que a volta de Jesus está próxima, pois quando Maria tornar-se conhecida, brilhante como o sol, redescoberta pelos filhos de Deus por obra do Espírito Santo, será o sinal da aurora que virá anunciar que Jesus vai voltar, o sol da justiça está prestes a brilhar. Cat. 972

A missão de Maria será sempre apontar para Jesus seu filho amado e querido. Ele é que deverá salvar a humanidade, porém, nada disso poderá acontecer se nós não a buscarmos, não a conhecê-la e receber de suas mãos a graça de merecê-Lo. Cat. 970 Não pode encontrar com Maria quem não a procura, e se a procura como encontrar-la se ela esta escondida. Justamente por isso que Maria precisa ser cada vez mais reconhecida para que as pessoas possam encontrá-la, e uma vez recebida, por ela formado em novo homem para assim entrar na Cidade Santa de Deus, lugar onde só os Bem-Aventurados, os descendentes de Maria podem entrar.
Por outro lado, o fato de estarmos debaixo dos raios de Maria, não nos poupa do nosso dever de vigilância diante do inimigo, pois é justamente pelo fato do demônio saber que pouco tempo lhe resta, ele redobrará seus esforços para atacar com mais veemência e impiedade os filhos da geração de Maria.

Desde Gênesis uma inimizade irreconciliável se estabeleceu entre o demônio e Maria, entre a sua descendência e a descendência dela e que tende aumentar sua fúria nos fins dos tempos. Gen 3,15 Mas isso não dá alguma vantagem ao inimigo, porque Maria é mais temível como um exército em ordem de batalha, brilhante como um sol, avança como aurora revelando o triunfo do seu Imaculado Coração aos filhos seus. Cântico dos Cânticos 6,10
Então neste momento terrível da história que esta por vir, onde o inimigo irá usar de toda sua força, todo seu exército e toda a sua artimanha para nos destruir, será melhor estarmos protegidos debaixo do manto virginal de Maria, pois nenhum mal poderá nos atingir porque a ela o inimigo jamais poderá vencer. Durante uma sessão de exorcismo o demônio chegou a confessar que para eles, debaixo do manto de Maria é impossível penetrar, pois é um manto sem qualquer mancha de pecado, (meio pelo qual os demônios usam para tocar em uma alma). Isso confirma o Dogma da Imaculada Conceição onde se estabelece que Maria foi concebida sem mancha de pecado original. O dogma foi proclamado pelo Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1854, na Bula Ineffabilis Deus. Assim, Maria se torna para nós uma arma de proteção contra nossos algozes espirituais. O Papa Inocêncio III dizia que “quando o nome de Maria é invocado um grande exército se levanta para combater junta a ela”. A maior força de Maria concentra-se na sua humildade, obediência e pureza que é a maior fraqueza de Satanás, que perdeu sua luz e beleza por orgulho, vaidade e toda sorte de impureza de coração.

Maria conhece o ponto fraco do demônio tanto quanto ele sabe o ponto forte de Maria. Para Satanás e os demônios em Maria não existe pontos francos, logo não existe nenhuma formas de penetrar por esta via. Então, ele sabendo que contra Maria não há alguma possibilidade de vitória, decidiu vir cegamente e cheio de fúria atrás de nós seus filhos para de alguma forma ferir-nos na fé, pois desprovidos da proteção de Maria somos alvos fáceis à destruição. Apoc 12,17
Desde o inicio esta sempre foi à grande jogada do demônio, uma estratégia que se aperfeiçoa na medida em que o tempo passa. Mas devemos reconhecer que Maria foi o grande trunfo de Deus contra Satanás, ele jamais poderia imaginar que Deus usaria de uma mulher para derrotá-lo, humilhante para quem é pai do orgulho, insuportável para quem era anjo de luz, mas agora destinado as trevas por toda eternidade. Maria foi e é o meio mais seguro pelo qual Deus encontrou para trazer a salvação aos homens na terra, um meio seguro, mais rápido, mais perfeito para vencer está guerra contra mal, S. Luís Grinion de Montifort.

Jesus o venceu porque aceitou passar pelo ventre de Maria. Ele sendo Deus não precisava, mas aceitou o plano de Deus e derrotou o inimigo segundo este método.
A receita está aí, o plano de Deus é este. Por meio de Maria haveremos de vencer o inimigo da nossa salvação neste vale de lagrimas. Maria marcha a nossa frente, junto a ela há um enorme exército de anjos que ao comando de São Miguel Arcanjo estarão em prontidão para todo e qualquer combate em favor das almas que Deus marcou com seu selo. Apesar do inimigo se parecer mais forte, não devemos ter medo, porque logo atrás de Maria está o nosso general, Jesus Cristo, o sol da justiça. Vai amanhecer e todos nós haveremos de ver esta luz que há de nos libertar de uma vez por todas de todo risco que nossa alma corre de ser perder.

Maranathá! Por Maria, vem Senhor Jesus.
Marcelo Pereira

Maria, Rainha dos corações

Maria recebeu permissão de Deus para cuidar do coração do homem sendo o primeiro deles o próprio Jesus. Esta autoridade sobre Jesus e que se estende sobre todo homem, faz parte do plano de Deus em salvar a humanidade, portanto, uma autoridade que visa à salvação de todos os homens.

A devoção a Santíssima Virgem Maria é necessário a salvação da humanidade. É no interior do homem que o Reino de Deus é implantado e Maria tem acesso a este lugar por ser Rainha dos corações.
É corretíssimo dizer que Maria é a Rainha do céu e da terra, porque a adoção de Maria a nós está não somente sobre nós quanto ao corpo, mas sobre tudo a alma. O corpo pertence à terra e a alma pertence ao céu. O coração do homem é o lugar onde residem as duas realidades, “céu e terra”, “corpo e alma”. O Reino de Maria atinge estas duas dimensões e é isso que a torna Rainha dos corações.

Este tipo de linguagem é próprio dos filhos de Deus. Bem aventurados os que fazem parte desta geração de Maria, pois somente a eles é revelado esse grande segredo. Só Maria dá aos miseráveis filhos de Adão e Eva a possibilidade de entrar no Reino de Deus pelos méritos dela formar em nós o novo homem nos mesmos moldes que ela gerou Jesus.

Se Maria é a Rainha do céu, isso significa que por ela existe um caminho que chega até lá, uma porta que se abre não para os invasores ou descrentes, mas aos eleitos, para aqueles que são frutos do teu ventre.

O Salmo 86, traz como título “Cidade de Deus”. Um lugar onde as pessoas são geradas para Deus, são os eleitos que povoarão esta cidade. Este lugar é teu ventre ó mãe, um lugar seguro, um escudo de proteção contra o inimigo, contra os algozes. É aí que queremos ser formados, gerados, transformados em homens novos. Ficamos por muito tempo deserdados do paraíso por causa da desobediência dos nossos primeiros pais Adão e Eva, mas Deus a escolheu como Cidade Santa, para reinar no coração dos homens, a fim de que, sendo vós a Rainha do nosso coração, tenhamos Jesus como nosso único Rei, Senhor e Salvador.

Marcelo Pereira

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Devoção a Santíssima Virgem Maria

Todas as devoções devem ter seu fim último em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Nenhuma devoção por mais importante que seja não deve nunca ocupar o lugar desta devoção maior que é Jesus.
A devoção a Santíssima Virgem Maria tem como finalidade única, estabelecer com mais perfeição a devoção a Jesus Cristo nosso Senhor.
É verdade que muitos intelectuais espiritualistas baseados em filosofias cristãs e não cristãs tem esvaziado o valor da devoção a Virgem Maria criando doutrinas de caráter protestante, com o objetivo de separar Jesus de Maria e às vezes até de forma desumana.
São Luís M. Grignion de Montfort chega a dizer que é mais fácil separar a luz do sol ou o calor do fogo do que separar Jesus de Maria no que diz respeito ao plano de Deus em salvar o homem. Se Maria não existisse, Jesus não existiria para nós pela fé, da mesma forma que a luz não existiria se o sol não existisse.
Deus está mais perfeitamente presente em Maria que em todos os Anjos do Céu, diz São Luís de Montfort.
A indiferença a Virgem Maria gera indiferença a Jesus automaticamente. Negar Maria como parte do plano de Deus em salvar o homem, é negar Jesus e a própria salvação. Por outro lado, quando Deus encontra uma alma mergulhada na devoção a Virgem Maria, mais operante mais operoso e mais rápido se torna o processo de produzir Jesus nessa alma, pois o ventre que gerou o homem perfeito “Jesus Cristo” é o mesmo ventre que possuindo a forma na medida certa para gerar-nos também para Deus a estatura do homem perfeito, homens novos para um mundo novo.
Quem dera se algum dia alguém nos saudasse de bendito ou bem aventurado por ter nos encontrado no ventre de Maria como o fez Isabel sua prima ao ver Maria que exaltou dizendo; “Bendito é o fruto do teu ventre”, que alegria seria para mim, ter alcançado a santidade por meio de Maria, fruto do teu ventre ó mãe.
Recentemente, no segundo Domingo da Páscoa, Bento XVI ao inscrever no livro dos bem-aventurados o beato João Paulo II, em seu discurso o papa nos apresenta Maria como a “bem-aventurada” aquela que precede todas as outras bem-aventuranças. “Bem aventurada é aquela que acreditou no cumprimento de tudo que lhe foi dito por parte do Senhor” Luc 1,45
Maria se torna um modelo de bem-aventurança justamente porque acreditou no plano de Deus.
Para João Paulo II, desde o inicio de sue pontificado, Maria tornou-se esta referência de fé, alguém que ele escolheu para o conduzir no seu ministério de pastor da Igreja de Cristo. Ao tomar posse do seu cajado de Papa, João Paulo II manda introduzir em uma cruz de ouro a letra “M”, e na parte inferior direita o seu lema “Totus tuus”. Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria.

Para Karol Wojtyla, foram as mãos generosas de Maria que o conduziu ao longo de seus quase 27 anos de pontificado, e foi ela que o sustentou nas horas mais sóbrias.

Deixar-se formar por Maria é antes de tudo tê-la como esta referência, modelo de bem-aventurada, alguém que acreditou e que por este motivo participa na construção do homem novo segundo Jesus Cristo. Bendito é o fruto do teu ventre ó Maria. Bendito é aquele que escolheu seu ventre para se tornar Cristo no mundo. Bendito é o bem-aventurado João Paulo II que escolheu ser todo teu ó Maria e permitiu que tudo fosse feito por tuas mãos.

Foi exatamente isso que a Igreja proclamou no segundo Domingo de Páscoa. Bem-aventurado o fruto do teu ventre ó Maria, bendito é agora João Paulo II, filho de sua serva Maria, que agora está muito mais perto do Céu porque acreditou que o caminho, a verdade e a vida que é “Cristo”, têm como residência o seu ventre ó querida mãe.

Maria, “Porta do Céu”, rogai a Jesus para que cresça em nós cada dia mais este desejo de nos deixar formar por ti, que sejamos gerados no novo homem segundo Jesus Cristo, que essa união da minha alma com a tua graça tornem esta devoção um meio seguro de união mais profundamente entre nós e seu filho Jesus Cristo nosso Senhor.

Marcelo Pereira

Maria, Santuário do Altíssimo

Maria é a obra-prima do Altíssimo, nela Deus gerou seu filho para a humanidade por obra do Espírito Santo. Em Maria, Deus está mais magnificamente e mais divinamente que qualquer outro lugar do universo. Criatura nenhuma por mais pura que seja jamais poderá acolher Deus tão dignamente como Maria acolheu. Nela a Santíssima Trindade pode repousar com a segurança de quem a criou.

Por isso os Santos padres da Igreja chegaram a nomear Maria como o Santuário da Santíssima Trindade, justamente porque foi o próprio Deus que a instituiu cujo conhecimento e domínio, Ele reservou para Si.

O mundo desconhece a beleza de Maria porque é indigno e inapto. Mas Deus escolheu revelar a grandeza de Maria às almas que nela se encontra a caminho do paraíso celestial. Maria é a antecipação do paraíso já aqui na terra, pois nela Deus habita e se esconde a fim de que nós embora indignos por causa dos nossos pecados, o mereçamos aproximar de Deus por meio da dignidade de Maria.
Devemos nos aproximar de Maria como nos aproximamos da Igreja para encontrarmos com Deus. Nela Deus se encontra em plenitude justamente por Deus a ter escolhido como morada, portanto, um santuário onde a Santíssima Trindade habita.

Quem deseja conhecer Jesus e seu reino, deve antes ter a necessidade de conhecer o reino da Santíssima Virgem Maria, pois não há outro caminho mais curto que este.

Marcelo Pereira

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Segunda via de sofrimento

Estamos caminhando e refletindo sobre a “Espiritualidade do Sofrimento”, tendo como pano de fundo a espiritualidade dos três Pastorinhos de Fátima

No último post vimos a primeira via de sofrimentos qeu consciste naqueles sacrifícios que podemos oferecer a Deus e desagravo e consolo aos corações de Jesus e Maria. Já na segunda via, julgo eu, ser a mais difícil, pois não a escolhemos, mas é o próprio Deus que nos seus mistérios insondáveis, nos permiti passar pelo fogo do sofrimento a fim de demonstrar seu profundo amor por nós, sendo Ele o primeiro a aceitar o desafio da reparação através da cruz, cujo nenhum de nós foi poupado. Por tanto, os sofrimentos que os Pastorinhos enfrentaram permitidos por Deus, tal como Nossa Senhora havia predito na aparição, deve ser entendido como uma forma de espiritualidade, uma via eficaz que possibilita a alma vislumbrar o Céu.  “Ides, pois, ter muito que sofrer…” (Memórias da Ir. Lúcia)
Penso ter sido um dos momentos mais sofridos da vida dos Pastorinhos, o episódio do dia 13 de Agosto, um imprevisto, que tardou a aparição de Nossa Senhora para dia 19. O administrador Artur de Oliveira Santos, retém os Pastorinhos presos durante três dias, ora em sua casa, ora na cadeia municipal.
Era dia 13 de Agosto de 1917, quarta aparição. Estavam os Pastorinhos presos durante todo aquele dia…
“À Jacinta, o que mais lhe custava era o abandono dos pais; e dizia, com as lágrimas a correrem pela face:
- Nem os teus pais nem os meus nos vieram ver. Não se importam mais de nós!
- Não chores, disse-lhe Francisco. Oferecemos a Jesus, pelos pecadores.
E levantando os olhos e as mãozitas para o Céu, fez ele o oferecimento: Ó meu Jesus, é por Vosso amor e pela conversão dos pecadores.
A Jacinta acrescentou: É também pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.
É impressionante a atitude dos Pastorinhos. Para Francisco o que mais o contristava era o fato da possibilidade de Nossa Senhora nunca mais lhes aparecer. Quanto a Jacinta, chorava com saudades da mãe e da família, porém, Francisco tentava animá-la dizendo: “A mãe, se não tornamos a ver, paciência! Oferecemos pela conversão dos pecadores. O pior é se Nossa Senhora não volta mais! Isso é o que mais me custa! Mas também o ofereço pelos pecadores”. (Memórias da Ir. Lúcia)
Certamente, as pequenas crianças de Fátima não desejaram passar por este sofrimento, e nem mesmo escolheram está via por falta de opção, mas ao contrário, aceitaram de muita boa vontade como um bom soldado de Cristo à todos sofrimentos que lhes bateram a porta, e mesmo em grau de perigo. “Assume o teu quinhão de sofrimento como um bom soldado de Cristo Jesus” (II Timóteo 2,3). Eles foram capazes de dialogar com o mundo dos sentimentos, e agindo com consciência e maturidade no mundo espiritual, deram uma resposta heróica diante de Deus. Porém, mal sabiam eles que os sofrimentos de que falava Nossa Senhora eram semelhantes com certas torturas que costumamos ver em campos de concentração.
Para arrancar o segredo dos Pastorinhos, o Administrador, Artur de Oliveira Santos, não poupou esforços. Começou por lhes oferecer presentes e lhes fazer as mais lisonjeiras promessas. Mas os Pastorinhos por sua vez não se amoleceram. Então o administrador mandou seus guardas prepararem uma caldeira de azeite a ferver para os fritarem vivos, caso não quisessem revelar o segredo.
A primeira a ser provada foi Jacinta. Aparece um guarda com voz ameaçadora e grita: “Ou dizes o segredo, ou morres!
Como a pequena Jacinta responde “não”,
o guarda arrasta-a atrás de si.
Foi imediatamente sem se despedir de nós. Enquanto a interrogavam, o Francisco dizia-me com imensa paz e alegria:
Se nos matarem, como dizem, daqui a pouco estaremos no Céu! Mas que bom! Não me importa nada”.
Depois de alguns segundos, Francisco acrescenta: “Deus queira que a Jacinta não tenha medo. Vou rezar uma Ave-Maria por ela!”.
Como Francisco e a Lúcia responderam com a mesma heróica coragem, são ambos condenados à morte e lá vão corajosos, ao seu encontro.
Mas veja, não passava de uma maldosa façanha, de um cruel julgamento. Depois de ter fracassado com infrutíferas tentativas de lhes tirar o segredo, o Administrador reconduz então a Fátima os três Pastorinhos, na tarde do dia 15 de Agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, tendo então Maria, voltado a aparecer no dia 19, Domingo.
A heroicidade dos Pastorinhos, sem dúvida, é autêntica, simplesmente pelo grande desejo de consolar e reparar os Corações de Jesus e de Maria, mas, sobretudo, no profundo anseio de ver a conversão dos pecadores, e a salvação das pobres almas agonizantes na visão do inferno. “Nenhum sacrifício é mais agradável a Deus do que o zelo pela salvação dos homens…” E também: “O valor do mundo inteiro não se pode comparar com o valor de uma só alma” (S. Gregório Magno). Por isso, que cada sacrifício oferecido a Deus, seja ele voluntário ou involuntário, enviado por Deus ou não, tem o seu sentido único na Cruz de Cristo, lugar da redenção de todo homem. As virtudes dos Pastorinhos de Fátima não tiveram a finalidade de santificar apenas a eles próprios, mas sobre tudo, demonstraram uma profunda preocupação com as pobres almas sofredoras. A missão dos pastorinhos era justamente ajudar “salvar a todos”. “… ficai sabendo que quem reconduzir um pecador do caminho em que se extraviava lhe salvará a vida e fará desaparecer uma multidão de pecados”. (Tiago 5, 20)
Estar aberto a esta via de sofrimento e aceitá-la como benfício espiritual para nossa conversão e para a conversão de outros exige de nós muita intimidade com o cruxificado. Somente na intimidade com Cristo é possível enxergar que a cruz oferecida por Deus tem meritos de ressurreição, nisso precisamos crescer e buscar a cada dia, pois sem esta visão o sofrimento passa a tornar nossa cruz mais pesada que podemos carregar.
Marcelo Pereira