Mostrando postagens com marcador espiritualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador espiritualidade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Devoção a Santíssima Virgem Maria

Todas as devoções devem ter seu fim último em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Nenhuma devoção por mais importante que seja não deve nunca ocupar o lugar desta devoção maior que é Jesus.
A devoção a Santíssima Virgem Maria tem como finalidade única, estabelecer com mais perfeição a devoção a Jesus Cristo nosso Senhor.
É verdade que muitos intelectuais espiritualistas baseados em filosofias cristãs e não cristãs tem esvaziado o valor da devoção a Virgem Maria criando doutrinas de caráter protestante, com o objetivo de separar Jesus de Maria e às vezes até de forma desumana.
São Luís M. Grignion de Montfort chega a dizer que é mais fácil separar a luz do sol ou o calor do fogo do que separar Jesus de Maria no que diz respeito ao plano de Deus em salvar o homem. Se Maria não existisse, Jesus não existiria para nós pela fé, da mesma forma que a luz não existiria se o sol não existisse.
Deus está mais perfeitamente presente em Maria que em todos os Anjos do Céu, diz São Luís de Montfort.
A indiferença a Virgem Maria gera indiferença a Jesus automaticamente. Negar Maria como parte do plano de Deus em salvar o homem, é negar Jesus e a própria salvação. Por outro lado, quando Deus encontra uma alma mergulhada na devoção a Virgem Maria, mais operante mais operoso e mais rápido se torna o processo de produzir Jesus nessa alma, pois o ventre que gerou o homem perfeito “Jesus Cristo” é o mesmo ventre que possuindo a forma na medida certa para gerar-nos também para Deus a estatura do homem perfeito, homens novos para um mundo novo.
Quem dera se algum dia alguém nos saudasse de bendito ou bem aventurado por ter nos encontrado no ventre de Maria como o fez Isabel sua prima ao ver Maria que exaltou dizendo; “Bendito é o fruto do teu ventre”, que alegria seria para mim, ter alcançado a santidade por meio de Maria, fruto do teu ventre ó mãe.
Recentemente, no segundo Domingo da Páscoa, Bento XVI ao inscrever no livro dos bem-aventurados o beato João Paulo II, em seu discurso o papa nos apresenta Maria como a “bem-aventurada” aquela que precede todas as outras bem-aventuranças. “Bem aventurada é aquela que acreditou no cumprimento de tudo que lhe foi dito por parte do Senhor” Luc 1,45
Maria se torna um modelo de bem-aventurança justamente porque acreditou no plano de Deus.
Para João Paulo II, desde o inicio de sue pontificado, Maria tornou-se esta referência de fé, alguém que ele escolheu para o conduzir no seu ministério de pastor da Igreja de Cristo. Ao tomar posse do seu cajado de Papa, João Paulo II manda introduzir em uma cruz de ouro a letra “M”, e na parte inferior direita o seu lema “Totus tuus”. Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria.

Para Karol Wojtyla, foram as mãos generosas de Maria que o conduziu ao longo de seus quase 27 anos de pontificado, e foi ela que o sustentou nas horas mais sóbrias.

Deixar-se formar por Maria é antes de tudo tê-la como esta referência, modelo de bem-aventurada, alguém que acreditou e que por este motivo participa na construção do homem novo segundo Jesus Cristo. Bendito é o fruto do teu ventre ó Maria. Bendito é aquele que escolheu seu ventre para se tornar Cristo no mundo. Bendito é o bem-aventurado João Paulo II que escolheu ser todo teu ó Maria e permitiu que tudo fosse feito por tuas mãos.

Foi exatamente isso que a Igreja proclamou no segundo Domingo de Páscoa. Bem-aventurado o fruto do teu ventre ó Maria, bendito é agora João Paulo II, filho de sua serva Maria, que agora está muito mais perto do Céu porque acreditou que o caminho, a verdade e a vida que é “Cristo”, têm como residência o seu ventre ó querida mãe.

Maria, “Porta do Céu”, rogai a Jesus para que cresça em nós cada dia mais este desejo de nos deixar formar por ti, que sejamos gerados no novo homem segundo Jesus Cristo, que essa união da minha alma com a tua graça tornem esta devoção um meio seguro de união mais profundamente entre nós e seu filho Jesus Cristo nosso Senhor.

Marcelo Pereira

Maria, Santuário do Altíssimo

Maria é a obra-prima do Altíssimo, nela Deus gerou seu filho para a humanidade por obra do Espírito Santo. Em Maria, Deus está mais magnificamente e mais divinamente que qualquer outro lugar do universo. Criatura nenhuma por mais pura que seja jamais poderá acolher Deus tão dignamente como Maria acolheu. Nela a Santíssima Trindade pode repousar com a segurança de quem a criou.

Por isso os Santos padres da Igreja chegaram a nomear Maria como o Santuário da Santíssima Trindade, justamente porque foi o próprio Deus que a instituiu cujo conhecimento e domínio, Ele reservou para Si.

O mundo desconhece a beleza de Maria porque é indigno e inapto. Mas Deus escolheu revelar a grandeza de Maria às almas que nela se encontra a caminho do paraíso celestial. Maria é a antecipação do paraíso já aqui na terra, pois nela Deus habita e se esconde a fim de que nós embora indignos por causa dos nossos pecados, o mereçamos aproximar de Deus por meio da dignidade de Maria.
Devemos nos aproximar de Maria como nos aproximamos da Igreja para encontrarmos com Deus. Nela Deus se encontra em plenitude justamente por Deus a ter escolhido como morada, portanto, um santuário onde a Santíssima Trindade habita.

Quem deseja conhecer Jesus e seu reino, deve antes ter a necessidade de conhecer o reino da Santíssima Virgem Maria, pois não há outro caminho mais curto que este.

Marcelo Pereira

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Segunda via de sofrimento

Estamos caminhando e refletindo sobre a “Espiritualidade do Sofrimento”, tendo como pano de fundo a espiritualidade dos três Pastorinhos de Fátima

No último post vimos a primeira via de sofrimentos qeu consciste naqueles sacrifícios que podemos oferecer a Deus e desagravo e consolo aos corações de Jesus e Maria. Já na segunda via, julgo eu, ser a mais difícil, pois não a escolhemos, mas é o próprio Deus que nos seus mistérios insondáveis, nos permiti passar pelo fogo do sofrimento a fim de demonstrar seu profundo amor por nós, sendo Ele o primeiro a aceitar o desafio da reparação através da cruz, cujo nenhum de nós foi poupado. Por tanto, os sofrimentos que os Pastorinhos enfrentaram permitidos por Deus, tal como Nossa Senhora havia predito na aparição, deve ser entendido como uma forma de espiritualidade, uma via eficaz que possibilita a alma vislumbrar o Céu.  “Ides, pois, ter muito que sofrer…” (Memórias da Ir. Lúcia)
Penso ter sido um dos momentos mais sofridos da vida dos Pastorinhos, o episódio do dia 13 de Agosto, um imprevisto, que tardou a aparição de Nossa Senhora para dia 19. O administrador Artur de Oliveira Santos, retém os Pastorinhos presos durante três dias, ora em sua casa, ora na cadeia municipal.
Era dia 13 de Agosto de 1917, quarta aparição. Estavam os Pastorinhos presos durante todo aquele dia…
“À Jacinta, o que mais lhe custava era o abandono dos pais; e dizia, com as lágrimas a correrem pela face:
- Nem os teus pais nem os meus nos vieram ver. Não se importam mais de nós!
- Não chores, disse-lhe Francisco. Oferecemos a Jesus, pelos pecadores.
E levantando os olhos e as mãozitas para o Céu, fez ele o oferecimento: Ó meu Jesus, é por Vosso amor e pela conversão dos pecadores.
A Jacinta acrescentou: É também pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.
É impressionante a atitude dos Pastorinhos. Para Francisco o que mais o contristava era o fato da possibilidade de Nossa Senhora nunca mais lhes aparecer. Quanto a Jacinta, chorava com saudades da mãe e da família, porém, Francisco tentava animá-la dizendo: “A mãe, se não tornamos a ver, paciência! Oferecemos pela conversão dos pecadores. O pior é se Nossa Senhora não volta mais! Isso é o que mais me custa! Mas também o ofereço pelos pecadores”. (Memórias da Ir. Lúcia)
Certamente, as pequenas crianças de Fátima não desejaram passar por este sofrimento, e nem mesmo escolheram está via por falta de opção, mas ao contrário, aceitaram de muita boa vontade como um bom soldado de Cristo à todos sofrimentos que lhes bateram a porta, e mesmo em grau de perigo. “Assume o teu quinhão de sofrimento como um bom soldado de Cristo Jesus” (II Timóteo 2,3). Eles foram capazes de dialogar com o mundo dos sentimentos, e agindo com consciência e maturidade no mundo espiritual, deram uma resposta heróica diante de Deus. Porém, mal sabiam eles que os sofrimentos de que falava Nossa Senhora eram semelhantes com certas torturas que costumamos ver em campos de concentração.
Para arrancar o segredo dos Pastorinhos, o Administrador, Artur de Oliveira Santos, não poupou esforços. Começou por lhes oferecer presentes e lhes fazer as mais lisonjeiras promessas. Mas os Pastorinhos por sua vez não se amoleceram. Então o administrador mandou seus guardas prepararem uma caldeira de azeite a ferver para os fritarem vivos, caso não quisessem revelar o segredo.
A primeira a ser provada foi Jacinta. Aparece um guarda com voz ameaçadora e grita: “Ou dizes o segredo, ou morres!
Como a pequena Jacinta responde “não”,
o guarda arrasta-a atrás de si.
Foi imediatamente sem se despedir de nós. Enquanto a interrogavam, o Francisco dizia-me com imensa paz e alegria:
Se nos matarem, como dizem, daqui a pouco estaremos no Céu! Mas que bom! Não me importa nada”.
Depois de alguns segundos, Francisco acrescenta: “Deus queira que a Jacinta não tenha medo. Vou rezar uma Ave-Maria por ela!”.
Como Francisco e a Lúcia responderam com a mesma heróica coragem, são ambos condenados à morte e lá vão corajosos, ao seu encontro.
Mas veja, não passava de uma maldosa façanha, de um cruel julgamento. Depois de ter fracassado com infrutíferas tentativas de lhes tirar o segredo, o Administrador reconduz então a Fátima os três Pastorinhos, na tarde do dia 15 de Agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, tendo então Maria, voltado a aparecer no dia 19, Domingo.
A heroicidade dos Pastorinhos, sem dúvida, é autêntica, simplesmente pelo grande desejo de consolar e reparar os Corações de Jesus e de Maria, mas, sobretudo, no profundo anseio de ver a conversão dos pecadores, e a salvação das pobres almas agonizantes na visão do inferno. “Nenhum sacrifício é mais agradável a Deus do que o zelo pela salvação dos homens…” E também: “O valor do mundo inteiro não se pode comparar com o valor de uma só alma” (S. Gregório Magno). Por isso, que cada sacrifício oferecido a Deus, seja ele voluntário ou involuntário, enviado por Deus ou não, tem o seu sentido único na Cruz de Cristo, lugar da redenção de todo homem. As virtudes dos Pastorinhos de Fátima não tiveram a finalidade de santificar apenas a eles próprios, mas sobre tudo, demonstraram uma profunda preocupação com as pobres almas sofredoras. A missão dos pastorinhos era justamente ajudar “salvar a todos”. “… ficai sabendo que quem reconduzir um pecador do caminho em que se extraviava lhe salvará a vida e fará desaparecer uma multidão de pecados”. (Tiago 5, 20)
Estar aberto a esta via de sofrimento e aceitá-la como benfício espiritual para nossa conversão e para a conversão de outros exige de nós muita intimidade com o cruxificado. Somente na intimidade com Cristo é possível enxergar que a cruz oferecida por Deus tem meritos de ressurreição, nisso precisamos crescer e buscar a cada dia, pois sem esta visão o sofrimento passa a tornar nossa cruz mais pesada que podemos carregar.
Marcelo Pereira

Duas vias de sofrimento dos Pastorinhos

Duas vias de sofrimento dos Pastorinhos

Existem vários tipos de sofrimento que poderíamos enumerar, porém é possível classificar na espiritualidade dos Pastorinhos duas vias de sofrimentos com virtudes de santidade.
A primeira via são os sofrimentos que eu posso oferecer a Deus voluntariamente através das práticas de piedade, “sacrifícios e penitências”. É espontâneo, é um ato que nasce da convicção do nosso amor para com Deus.
Já a segunda via, são representadas por aqueles sofrimentos que Deus nos envia segundo os seus desígnios com uma única finalidade de purificar a nossa alma. Ele sendo Deus e autor de todo bem, sabe tirar proveito até mesmo das conseqüências que o pecado original deixou em nós, permitindo-nos passar pelo fogo do sofrimento a fim de purificar o ouro “nossa alma”, até que estejamos em condições de refletir Jesus em nossa própria face. É uma via que caminha sobre o mistério da dor, mas que tem resultado de graças no seu percurso final. São dois caminhos distintos, mas intimamente ligados um no outro, com capacidade de dialogar com a virtude da sabedoria que nasce da humildade do coração dos três Pastorinhos que souberam administrar com maturidade os seus sofrimentos.
Vamos começar por conhecer alguns dos sacrifícios com características de sofrimento que os Pastorinhos ofereceram a Deus voluntariamente em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores. São sofrimentos que partiram da iniciativa deles próprios, com um profundo sentimento de consolar os Corações e de Maria transpassados pela espada do pecado de toda humanidade.
Vejamos alguns exemplos que caracterizam esta primeira via.
Por vezes, os Pastorinhos não comiam a merenda, que era a sua refeição do meio-dia, para distribuírem primeiro às ovelhas e depois aos pobrezinhos, dizia o Francisco. “… demos a nossa merenda às ovelhas e fazemos o sacrifício de não merendar”. Deixavam muitas vezes de comer os figos e as uvas apetitosas que muitas vezes sua mãe lhes trazia enquanto brincavam. Jacinta, que nunca se esquecia dos pobres pecadores, disse: “Não os comemos – dizia ela – e oferecemos este sacrifício pelos pecadores”. Depois, saíam pela rua a levar as uvas apetitosas para as crianças que brincavam. Os Pastorinhos tinham costume de durante o tempo que cuidavam do rebanho se alimentarem das bolotas de Azinheira, uma árvore muito típica em Portugal. Um certo dia, a pequena Jacinta está a reclamar de muita fome, Francisco logo subiu a arvorezinha para encher os bolsos, mas Jacinta logo se atina que, recordando dos pobres pecadores, sugere a Francisco, trocar as bolotas da Azinheira pelas dos Carvalhos, que são extremamente amargas. Isso, só para oferecer como sacrifício pelos pecadores. Faziam habitualmente este sacrifício. Um dia Lúcia questiona dizendo: “Jacinta, não comas isso, que amarga muito”. E ela responde: “Pois é por ser amarga que eu como, para converter os pecadores”. Tinham também por costume de vez em quando, oferecer a Deus o sacrifício de passar uma novena sem beber água, e fizeram isso uma vez durante um mês inteiro em pleno verão em que o calor é sufocante. Certa vez, quando estavam a rezar o Terço na Cova de Iria e Jacinta sofria uma terrível dor de cabeça por causa da sede que sentia. Havia ali perto uma lagoa, onde várias pessoas lavavam roupas sujas e os animais iam beber água e banhar-se. Jacinta inclinou-se para beber daquela água, mas Lúcia interveio dizendo; “Desta não!” e sugeriu andar mais um pouquinho, a pedir sua Tia Maria dos Anjos, mas Jacinta responde: “Não! Dessa água boa não quero. Bebia desta, porque, em vez de oferecer a Nosso Senhor a sede, oferecia-lhe o sacrifício de beber desta água suja”. E acrescentou: “Nosso Senhor deve estar contente com os nossos sacrifícios, porque eu tenho tanta, tanta sede! Mas não quero beber; quero sofrer por seu amor”. Trazia ainda na cintura, uma corda e batiam com urtigas nas pernas. Francisco levou tão a sério, que além de passar o dia com a corda amarrada na cintura, dormia também com ela. Era tão forte este sacrifício que, Nossa Senhora, na aparição de Setembro, pede que Francisco modere este sacrifício. “Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.” (Memórias da Ir. Lúcia)
Até os cantos dos grilos e das cigarras que atormentavam a pequena Jacinta, debilitada pela sede e pela dor de cabeça, foram oferecidos em sacrifícios pelos pecadores. Lúcia um dia, apanhava severamente de sua mãe, com um cabo de vassoura, pois tinha sido acusada injustamente, de ter escondido um dinheiro que na verdade, ela nem recebera. Sua irmã Carolina, que foi testemunha de que Lúcia era realmente inocente, aliviou-a de maiores sofrimentos, mas que por sua vez não desperdiçou a oportunidade de também oferecer este sofrimento ao bom Deus.
Deixavam os divertimentos mundanos, tais como os bailes só para ter motivos de oferecer algum sacrifício a Deus. Passavam horas seguidas com a cabeça no chão, repetindo as orações que o Anjo havia ensinado.  “Havia no nosso lugar uma mulher que nos insultava sempre que nos encontrava – conta Lúcia. Encontrámo-la um dia quando saía duma taberna, e a pobre, como não estava em si, não se contentou dessa vez só com insultar-nos. Jacinta diz-me: – Temos que pedir a Nosso Senhor e oferecer-lhe sacrifícios pela conversão desta mulher. Diz tantos pecados que, se não se confessa, vai para o inferno.
Passados alguns dias corríamos em frente da porta da casa desta mulher. De repente, a Jacinta pára no meio da sua carreira e, voltando-se para trás, pergunta:
- Olha, é amanhã que vamos ver aquela Senhora?
- É, sim.
- Então não brinquemos mais. Fazemos este sacrifício pela conversão dos pecadores.
E sem pensar que alguém a podia ver, levanta as mãozinhas e os olhos ao céu e faz o oferecimento. A mulherzinha espreitava por um postigo (pequena porta) da casa. E depois, dizia ela à minha mãe que a tinha impressionado tanto aquela ação da Jacinta que não necessitava de outra prova para crer na realidade dos fatos. E daí para o futuro não só nos não insultava, mas pedia-nos continuamente para pedirmos por ela a Nossa Senhora que lhe perdoasse os seus pecados. Eis uma conversão devida aos sacrifícios dos Pastorinhos, sobretudo da Jacinta”.
Esses foram alguns dos exemplos que confirmaram a santidade dos Pastorinhos. “A penitência impele o pecador a suportar tudo de boa vontade” (Cat 1450). Para os Pastorinhos, o que importava era consolar os Corações de Jesus e de Maria, tão ofendidos pelos pecados da humanidade, tudo lhes podia ser útil para transformar-se em sacrifício, o prazer do paladar, os divertimentos e descansos, até mesmo, sacrificar o próprio corpo para consolar a Deus. Tudo isso, com muito boa vontade, sem reclamações ou exibições, com profunda devoção e seriedade.
Para que não se prolongue muito a leitura deste tema, no proxímo post vamos conhecer a segunda via, porém é muito importante que você assimile bem esta via para dar continuídade no tema principal que é a “Espiritualidade do Sofrimento”.
Peço que Nossa Senhora nos ajude na compreenção deste caminho que estamos fazendo sobre a espiritualidade de Fátima, pois ela mesma quis que todos nós tivessemos o conhecimento desta via que por ela os Pastorinhos passaram para chegar ao Céu.
Salve Maria!
Marcelo Pereira

quarta-feira, 2 de março de 2011

Qual o sentido do sofrimento?

Estamos trilhando pela via da “Espiritualidade do Sofrimento”. Vimos no primeiro post através do documento de João Paulo II (O sentido cristão do sofrimento humano), que os nossos sofrimentos não são em vão, eles não acontecem por acaso do destino, há um sentido para este interminável sentimento que chamamos de “sofrimento”, mas tudo depende da maneira com que eu o encaro cada sofrimento que a cada dia bate em minha porta.

No segundo post refletimos sobre a espiritualidade de Fátima que traz em si uma significante resposta que também dá sentido ao sofrimento humano e que por meio dos três Pastorinhos de Fátima, ficou assim instituído como via de santidade.
Eu prometi que voltaria tocar neste assunto e que quero agora junto com você aprofundar um pouco mais nesta virtude escondida por de trás do sofrimento.

Na primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima, ela pergunta aos Pastorinhos; “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?” (Memórias da Ir. Lúcia)
A palavra mais imponente aqui no pedido de Nossa Senhora é a palavra “sofrimento”, que já refletimos sobre a sua importância no post anterior. O segundo destaque vai para “pessoa”, para quem é destinado o pedido. Também já estudamos sobre isso um pouco atrás quando entendemos que o pedido se destina na primeira pessoa, ou seja “EU”.

O terceiro destaque neste pedido de Nossa Senhora vai para quem está fazendo o pedido. Nossa Senhora aqui é apenas uma mensageira, pois é Deus que a envia em missão sobre a terra para pedir por meio dos pequenos Pastorinhos que aceitem todos os sofrimento que Ele (Deus) quiser enviar-lhes.
Então veja bem, o pedido vem de Deus e o tipo de sofrimento também fica por conta D`Ele. Coube aos Pastorinhos apenas dizer que sim ou que não, ao que eles disseram “SIM QUEREMOS”. A partir daí, nasce no coração de Francisco, Jacinta e Lúcia o desejo de corresponder ao pedido de Deus de uma forma lucidamente concreta.
O quarto e último ponto significativo e que vai dar todo um sentido para esta reflexão sobre a espiritualidade do sofrimento é o para que devemos aceitar o sofrimento, a que ela responde; “em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?”
Está é a finalidade pela qual devemos aceitar de boa vontade todo e qualquer sofrimento que bater em nossa porta, há uma forma de reciclarmos o sofrimento e transformá-lo em conteúdo de reparação pelos pecados com que Ele “JESUS” é ofendido e de suplica pela conversão dos pecadores. Aqui reside o sentido pelo qual sofremos.

O que acontece é que ficamos cegos diante da dor que o sofrimento nos causa que perdemos a visão espiritual e a mística que se esconde atrás da cortina do sofrimento.
Porém, nós enxergando ou não, esta mística existe, esta espiritualidade é real e que graças aos Pastorinhos de Fátima, este véu também já foi rasgado, não é mais obscuro perceber que caminhar sobre a cruz do sofrimento com esta consciência de reparação e de oferecimento, pode tornar leve nosso calvário, e menos doloroso também, além de poder utilizar aquilo que para nós é desprezível, no caso o “sofrimento”, em remédio de consolo para o Coração de Jesus muito ofendido por todos os pecados da humanidade.
Pode parecer um absurdo, mas é isso mesmo que você esta entendendo. Os nossos sofrimentos podem ser útil para Deus. Pode servir de remédio e de consolo ao Nosso Senhor Jesus Cristo, basta apenas oferecermos a Deus, canalizarmos para isso.

No próximo post quero lhes apresentar as duas vias com que os Pastorinhos intitularam como espiritualidade do sofrimento e que por meio delas chegaram ao Céu.
O importante hoje é perceber que Deus estende este pedido também a nós; “Quereis também vós oferecer-vos a Mim, para suportar todos os sofrimentos que Eu quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que meu Filho é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?”

A resposta é pessoal, e temos que responder apenas que sim ou que não. É certo que a nossa resposta será de acordo com a nossa intimidade com Deus, sem olhar para a Cruz de Cristo, e sem o despojamento de um coração pobre e humilde, de fato será difícil enxergar qualquer sentido em nossos sofrimentos. Mas estou certo que Maria também vai nos ajudar a retirar as escamas do mundo material, da prepotência, do nosso orgulho, do nosso pecado que nos cegam os olhos da fé, e com teu auxilio ó mãe, poderemos também nós alcançar o Céu por termos escolhido fazer a vontade de Deus mesmo que se essa vontade seja abraçar a nossa própria cruz.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós
Marcelo Pereira

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Quatro característica na visita de Maria à Isabel



“Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá”.A primeira característica desta visita de N. Senhora foi a sua motivação para fazer uma visita a sua prima Isabel. Quando temos motivação para fazer algo, já indica que vamos fazer algo de muito importante que perpassa pelas nossas emoções e sentimentos, produzindo em nós uma necessidade apressada de concretizar tal gesto. A primeira característica de Maria que motivou a sua visita a Isabel, foi a “pressa”. Ela se levantou e foi às pressas às montanhas….
A segunda característica que encontrei foi à saudação. “Maria entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel” Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança que estava em seu ventre estremeceu no seu ventre e no mesmo momento Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Que maravilha de saudação que é capaz de envolver toda a pessoa de Isabel ao ponto de estremecer até o seu ventre onde estava João Batista. Maria estava ali por inteira e levava consigo o menino Deus. Quando nos encontramos com alguma pessoa ou nos relacionamos com ela mesmo que por alguns minutos, este momento deve produzir o mesmo impacto que produziu no encontro de Maria com Isabel. Temos que transportar através da nossa saudação os efeitos de carregarmos em nós a presença de Deus. Maria levava Deus em si, e foi Deus que ela transmitiu a Isabel. “Isabel ficou cheia do Espírito Santo”.
A terceira característica vem logo a seguir. Isabel exclama em alta voz; “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor?” Ora, quem havia dito a Isabel que Maria estava grávida? Por acaso, naquela época já havia telefone? Claro que não! Quem a revelou foi o Espírito Santo que estava presente naquele encontro. Quando Deus está presente em nossa vida, onde e com quem encontrarmos produziremos diálogos profundamente proféticos e construtivos. Está é uma terceira característica da visita de Maria a sua prima Isabel.
A quarta e última característica é a mais perfeita ainda. Após a declamação de Isabel, Maria é inspirada a compor uma das orações mais lindas que a bíblia tem. “Minha alma glorifica ao Senhor, meu Espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador…”. Um encontro que gera louvor, onde Deus passa a ser o primeiro plano, o maior motivo da nossa presença ali. Quando estas quatro características vier a fazer parte da nossa conduta, então, não haverá possibilidade de alguém passar em vão em nossa vida.
Tenho certeza que depois de rezar com esta palavra hoje, minha vida fraterna terá outro sabor, ganha um novo sentido e vigor. Motivado por estas quatro características, peço a Santíssima Virgem que nos ensine a levar Jesus em todos os ambientes, em todos os encontros seja com quem quer que seja! Assim seja, amém.

Marcelo Pereira