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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Justiça, primeira virtude Cardeal

A primeira virtude que vamos tocar é a justiça. Platão afirmava que a justiça é a virtude daquele que estabeleceu o equilíbrio entre o espírito (mous), honra pessoal (thymos) e desejo (epithynia) que imprime assim uma característica da alma.
O Catecismo da Igreja Católica define a justiça como a virtude que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que Lhe é devido.
São Duas referências. Ser justo para com Deus e ser justo para com o próximo. Um não pode ser menos que a outra, pois as duas andam juntas. A virtude está na pessoa, seja com Deus ou com o próximo a atitude é a mesma. Uma pessoa justa é aquela que faz jus ao seu próprio ser.
Na idade Média, a justiça sempre foi representada por uma mulher segurando uma balança e uma espada na mão. Seus olhos se encontram vedados, para que nenhuma inverdade lhe a cegue, mas ao contrário, toma suas decisões sem olhar para a pessoa. Considera tanto o assunto como também o ser humano com todas as suas particularidades.
Um exemplo típico que define uma pessoa justa é a do Rei Salomão em I Reis 3,16-22 que se vê como juiz entre duas mães que brigavam pela maternidade de um filho onde as duas diziam ser a mãe da criança. O Rei Salomão usou de muita sabedoria e julgou com justiça ao intuir o que era correto fazer naquele momento. Salomão levou em consideração não apenas a pessoa, mas também o assunto e agiu com clareza e de forma certa para descobrir a verdadeira mãe.
A justiça ajuda-nos a desmascarar a tendência do pecado original nos devolvendo ao estado de santidade e de justiça original. Cat 375
Sem justiça não há harmonia entre a alma e o corpo, entre o homem e a mulher, entre a criação e o Criador.
Aqui no Brasil se fala muito em justiça, justamente por que aqui a corrupção é que predomina as muitas classes sociais e políticas. O homem tem sede e fome de justiça, mas deve ele saber que a justiça não é dada e nem comprada, ela é uma característica da alma, uma marca original impressa pelo Criador no caráter de cada pessoa, como uma bússola que guia a suas ações, como fonte clara que fertiliza tudo o que ela realiza.
Maria é uma mulher extremamente justa. Embora ela não levasse o mesmo título de seu esposo S. José, como homem justo, mas Maria demonstrou tanto quanto ele que sua alma tinha essa característica sim, mas que vinha pela sua Imaculada Conceição, sem a mancha do pecado original, sem o risco de perder sua santidade e sua justiça original.
Só isso já faria de Maria uma mulher completamente justa, mas ela foi além, sem usar de nenhum pretexto sobrenatural, ela agiu de forma justa diante de Deus, mas sobre tudo diante dos homens.
Maria é para nós um modelo seguro de justiça, ela é Imaculada e se manteve em estado de justiça original durante toda a sua vida.
Peçamos a ela que nos ensine a viver justamente, a fim de que também nós alcancemos a santidade original. Que assim seja!

A próxima virtude será a “prudência”, fique atento...

Marcelo Pereira

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Amabilidade

Amabilidade, sétimo fruto do Espírito Santo

Estamos caminhando bem sob a linha de pensamento de S. Paulo narrado na Epístola aos Gálatas, onde Paulo destaca 9 frutos do Espírito Santo como fonte de vida interior capaz de nos ajudar a crescer em maturidade.

Gostaria de começar dizendo que a amabilidade deriva da palavra amável, que também pode ser manso ou PRAYTES, em grego. Jesus nos convida a aprender com Ele a sermos manso “amável” e humilde de coração. Mat 11,29. Logo, Jesus é um modelo por excelência na prática da amabilidade. Se quisermos um exemplo de quem vive ser amável, manso e humilde devemos olhar para Jesus sob todos os sentidos.

No dicionário amabilidade tem o seguinte significado; 1- qualidade de amável.
2- Delicadeza e atenção no trato; gentileza, afabilidade, cortesia. Embora sejam estes substantivo feminino, isto não restringe o destinatário nem se limita a uma questão de sexo. Tanto os homens como as mulheres podem e devem cultivar a amabilidade.

Uma pessoa amável é aquela capaz de agir com mansidão diante de situações que normalmente nos impulsiona a agressividade. É a capacidade de ser sereno e calmo diante do agressor e dar resposta diferente com amor e com serenidade a ponto de desconcertar o ato de agressão e rudez daquele momento. Em uma fração de segundos, uma pessoa amável busca o seu equilíbrio, pois ela sabe quem é e de que é capaz, por isto ela dialoga rapidamente com os frutos do Espírito Santo que também está nela e ali ela decide estar no centro, ponto cujo amor acontece. Isto não significa que uma pessoa amável não traz consigo o impulso da agressão e da rudez como se aceitasse tudo passivamente, não é isso, somos marcados pelo pecado original. Trata-se de uma serenidade superior, proveniente de uma sabedoria interior. Segundo Platão, tal atitude realça a marca de uma pessoa culta e nobre.

Um dos alunos que mais absorveu de Jesus esta característica foi o apostolo João, considerado o apostolo do amor, aquele que se reclinou sobre os ombros de Jesus na última ceia. Ele é quase um protótipo de Jesus na questão da amabilidade. Ninguém falou melhor sobre o amor do que João em suas 3 Epístolas do novo testamento.

Jesus diz que “os mansos de coração há de herdar a terra” Mat 5,4. Então num futuro breve não haverá espaço na terra para pessoas rudez e agressivas. Então o jeito é se adequar na mansidão para não ficar de fora. É uma questão de treino, aprendizado.

Vamos tecer os olhos sobre a pessoa de Maria. Ela trás vários títulos que caracteriza a amabilidade. “Mãe do amor”, “Mãe terna, serena, acolhedora, paciente, delicada, atenciosa, gentil”, “Mãe da Misericórdia”, e por aí vai. E onde Maria adquiriu todas estas virtudes? É claro que foi através de Jesus, sua escola se deu através do seu filho desde a sua infância, Maria já assimilava as atitudes de Jesus, não por que Ele era Deus, mas porque ele viveu sua vida na terra como homem, tudo semelhante ao homem com exceção do pecado, o resto foi igual a nós, mas por graça do SER Jesus viveu o perfeito amor em todas as coisas. O modelo para chegar à perfeição no amor como ressalta S. Paulo em Colossenses 3,14, é Jesus, este foi o modelo de Maria e continua sendo para nós também.

O mundo só vai conhecer o verdadeiro amor por meio de Jesus, fora D’Ele o amor será sempre imperfeito. É por isso que Maria continua sua missão na terra como foi em Fátima em plena guerra, ela pede o fim da violência que é a inimiga numero 1 da amabilidade.

A amabilidade significa a coragem de realizar, a partir de um equilíbrio interno, e de modo sereno e amável, aquilo que foi reconhecido como adequado.

Que Nossa Senhora nos ensine o caminho do perfeito amor, e que a violência morra na escolha que faremos em sermos amáveis e serenos diante de qualquer situação.

Deus abençoe você!

Com carinho Marcelo Pereira

Fidelidade, sexto fruto do Espírito Santo

A palavra fidelidade também é conhecida como PISTIS que traduz a palavra fé e confiança. Não se refere necessariamente a ter fé em Deus, mas sim a atitude de julgar capaz de ter confiança.

Normalmente uma pessoa fiel é sempre uma pessoa integra confiante em seus valores e rege a sua vida através do exercício da fidelidade. Em alemão a palavra fidelidade significa estabilidade, onde a pessoa está sempre no centro e estável. Ela não se deixa levar pela corrupção e desvaleres que a diminua ou a desestabiliza.

Daí, podemos dizer que uma pessoa fiel aos seus valores, sonhos, metas, leis e corretas tradições, é capaz de ter fé e confiança em si mesma, nos outros e principalmente em Deus.

A fidelidade não é um fruto que chega pronto, ela é conquistada durante boa parte da nossa vida no treinamento diário até conseguirmos estar no centro, sem titubear nem para frente nem para trás. Isto, nos deixa confiantes. Quando estamos centrados em nossa confiança e em nossa fé somos capazes de mover as pessoas ao nosso redor sem algum esforço.

No campo Espiritual isto se torna mais evidente ainda. A confiança em Deus pode nos poupar de muitos sofrimentos além de nos fazer tocar em grandes milagres. Já uma pessoa desconfiada perde muito tempo procurando explicações para tudo e razão para todas as coisas, e acaba não vivendo a dimensão sobrenatural que rege sobre nós através da confiança e a fé.

A fé e a confiança são as construtoras da fidelidade em nós. Quem atua em sua vida orientando-se na virtude da fidelidade sentir-se-á estável.

Quando olhamos para Maria podemos afirmar que ela é uma mulher estável, centrada nos valores que herdou na escola da vida, centrada sobre tudo na vontade de Deus. Sua confiança em si própria e em Deus é inquestionável, porém fruto de sua confiança e integridade. Maria não foi criada pronta para todas as virtudes que ela possui, mas foi moldada na vida e por isto, chegou à maturidade da fidelidade, equilibrada, no centro da sua integridade que gerou total confiança no plano que estava designado para sua vida.

Para ser integro é preciso antes ser fiel. A corrupção em qualquer gênero destrói qualquer estabilidade de ser fiel em qualquer coisa.

O mundo hoje se tornou uma escola que forma pessoas integras e corruptas, tudo depende da minha fidelidade aos reais valores que geri durante a minha vida e de forma especial, os valores da nossa fé cristã.

Não nos esqueçamos, a fidelidade é um fruto, mas somos nós que plantamos o que queremos colher. Se quisermos colher fidelidade temos que plantar confiança e fé.

Que Maria Santíssima nos coloque no centro, no centro de nós mesmos e no centro da vontade de Deus para que os frutos da fidelidade em nós, seja capaz de mudar a nossa desconfiança em fé.

Deus abençoe você!

Com carinho Marcelo Pereira