segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Peregrino da paz

Muitos de nós temos uma imagem de peregrinação muito limitada, pois estamos acostumados a restringir uma peregrinação sob forma de uma viagem religiosa a lugares santos, mas sempre com aquele impulso de retorno e com passagem de volta, ou seja, limitamo-nos a idéia de ir e voltar, de conhecer aquele lugar dos nossos sonhos, mas sempre com saudade da nossa casa do nosso lugar de costume familiar e social. Na filosofia e até mesmo na teologia encontramos uma visão bem mais ampla de ser peregrino, que não está limitado a hum lugar passageiro e apenas físico, mas sobre tudo místico e sobrenatural com uma perspectiva de tempo sem limites, ou seja, de uma dimensão eterna.

Ser peregrino da paz, não é uma viagem que tenha passagem de volta, ou que nos deixa com saudades das guerras, barulhos tão habituais como nos dias de hoje. Está viagem em busca da paz não pode estar limitada a um lugar nem mesmo a um tempo cronológico,pois não se trata de um monumento histórico nem de um patrimônio da humanidade. Também, o peregrino da paz não pode sentir saudades do que é ruim só porque já é um hábito, pois não devemos nos acostumar com este mundo de cão.Ao contrário, o peregrino da paz ele leva a vida toda para conquistar este destino, pois a paz é uma semente que é plantada na terra da dor, das guerras e de todos os tipos de sofrimentos. É no coração do homem violento que somos responsáveis em espalhar esta semente pois a árvore desta semente que é gerada é que vai trazer sombras de paz sobre nós em tempos de turbulência.
A palavra de Deus diz que; o que se planta sobre está terra é o que se colherá sobre ela. Se plantamos vingança, raiva, ódio, rancor, violência e falta de perdão, então já temos um futuro comprometido, mas a conseqüência maior e pior ainda está na dimensão espiritual, onde seremos julgados pelos frutos da nossas obras. A dimensão da paz precisa ser uma peregrinação permanente, como é o Céu. Somos peregrinos permanentes do Céu e está viagem também não tem volta, aliás, tem apenas uma conexão que fazemos após a morte para uma viagem muita mais interessante ainda, que é a viagem ao mundo do amor, onde não haverá sequer lembranças ou sensações de guerra ou violência, pois a dor e o sofrimento terá desaparecido se a semente da paz e do amor foi suficientemente plantado para garantir o bilhete da salvação.

A ausência da paz hoje talvez seja por falta de quem plantasse no passado, e a ausência da paz amanhã talvez seja por termos nós cansado de peregrinar semeando a paz, amor e o perdão pelos lugares e pessoas por onde Deus nos leva todos os dias a viajar.A escolha do futuro depende de nós,já que nós não tivemos oportunidade de escolher o nosso presente, porém, podemos escolher o nosso futuro, ou pelo menos o futuro dos outros que virão depois de nós.Que Nosa Senhora, Rainha da Paz interceda por nós para que nossa viagem nos leve a cidade do amor lugar predileto da paz.

com carinho Marcelo Pereira

quinta-feira, 10 de julho de 2008

As Trevas não são o contrário da luz…

Para a Glória de Cristo Rei e da Virgem Prudentíssima, Maria Mãe da Igreja!

”As Trevas não são o contrário da luz, mas a sua privação”. (Parte I)
(Santo Tomás de Aquino – De Malo, I, a. I, ad.5)

I – A Luz e as Trevas do Homem
A dignidade do ser humano vez ou outra é colocada em maior realce, infelizmente ela é debatida com maior vigor quando em dados momentos da história a humanidade é atacada de forma brutal, severa e inconseqüente. Vemos por excelência os sistemas de poder que usaram de suas ideologias para massacrar milhões de seres humanos, hora retirando-os de seus lares, famílias, amigos, de suas terras onde nasceram e cresceram; outrora usando da maquina da morte, ceifando vidas, violando a sacralidade do corpo, retirando deles aquilo que só ao Pai Eterno pertence e só Ele exerce pleno poder.
Focando nossas atenções no fim da primeira metade do século XX, vemos que a dignidade humana se tornou um termo recorrente, passou a compor o texto das inúmeras constituições chamadas de modernas, com o Estado Democrático de Direito encabeçando, com suas debilidades, o poder de zelar por sua aplicação. Com as Guerras Mundiais, a humanidade vítima de si própria, experimentou o amargo gosto da ignorância absoluta, ao presenciar o período negro do nazifacismo e do comunismo, onde milhões de homens e mulheres se tornaram alvo da crueldade sem precedentes. Um período negro, quando o poder dos “poderosos” desse mundo se construiu sob a bandeira da aniquilação dos opositores do regime comunista e do holocausto dos inimigos idealizados do nazifacismo; porém a humanidade, mesmo assim, fez uma experiência de si própria, logo, fez uma experiência de Deus, quando constatou que o “status quo” deveria ser rompido – Tal status era degradante, porque o ser humano era visto como um mero instrumento que seria manipulado e descartado com violência de acordo com os interesses dos operadores das máquinas de guerra – mulheres, grávidas, idosos, crianças, homens sofreram o peso da mão poderosa do comunismo e do nazifacismo. O poder se constituía sob a capa da desumanidade, por isso, opostamente ao desumano constatou-se o humano, o valor, a dignidade, a potência de ser e viver uma moral que rompe com as cadeias do poder, que usa da máquina estatal para a aniquilação. A vida é santa e deve ser mantida em detrimento da morte e da insanidade; não há nada no ser humano que não seja dado por Deus. Todo e qualquer lampejo que dignifica verdadeiramente a vida é decorrente do Absoluto. A assistência que Deus dá aos filhos através da razão, se faz porque toda experiência humana é incompleta e imperfeita se feita de forma egoísta, logo, fora de Deus; por isso não se pode retirar Deus da história humana que é história de Deus – a história pertence ao Criador da História -. Ter condições de se determinar livremente sem que isso incorra na morte, ou pior ainda, na morte idealizada por aqueles que detêm o poder, fruto de uma máquina mortífera planejada nas suas mais concretas minúcias, é elemento essencial para que os filhos de Deus possam ter a garantia de se manterem vivos, sem que a loucura seja a pauta do momento.
”As concepções de Hitler e de seus asseclas[…]. A mais dura quadra, a mais triste, a mais cruel, aquela que nos deixou marcados para o resto da vida foi a II Guerra Mundial […] judeus exterminados nos campos de concentração de Auschwitz, de Dachau […]. Antes, porém, experiências sem nenhum sentido científico utilizaram esses seres humanos como cobaias, legando a alguns sobreviventes, a seus amigos e familiares, e à humanidade como um todo lúgubres memórias e marcas indeléveis de dor e de aflição”. “Esse quadro de espanto e terror, bem sinaliza os fundamentos que estruturaram o estado alemão sob o signo do que se chamou de nacional-socialismo, em que Hitler, havendo haurido em Joseph Artur de Gobineu (1816/1882) os primeiros rudimentos para a montagem da catástrofe, promoveu a insana ação que resultou no morticínio de milhões de judeus, sob a monstruosa concepção de raça inferior e impura e coisas do gênero”(Supremo Tribunal Federal – Habeas Corpus 82424).
veja a segunda parte deste texto no proxímo artigo, aguarde…

por Carlos Eduardo Maculan

segunda-feira, 28 de abril de 2008

“Como ser um líder virtuoso”

Gostei muito de um texto que a Zenit publicou nesta semana sobre liderança. O título do texto é: “Como ser um líder virtuoso”, fruto de uma entrevista com Alexandre Havard, diretor do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Liderança.

Ele inicia dizendo que: “quanto mais profundamente se vivem as virtudes, mais se pode mudar a cultura”.

4256522-md.jpgA liderança é questão de caráter. O caráter é algo que podemos configurar moldar e fortalecer. Fortalecemos nosso caráter através da pratica habitual de hábitos morais saudáveis, chamados virtudes éticas ou morais. As virtudes são qualidades da mente, da vontade e do coração. Nós as adquirimos com nossos esforços. O ato próprio para adquiri-las é um ato de liderança. (Havard)

O caráter não é o temperamento. O temperamento é inato, é um produto da natureza. Podem ajudar no desenvolvimento de algumas virtudes e impedir outras.
As virtudes imprimem caráter em nosso temperamento, de modo que este já não nos domina. Se me faltam virtudes, serei um escravo de meu temperamento. As virtudes regulam o temperamento.
O temperamento não tem que ser um obstáculo para a liderança. O obstáculo real é a falta de caráter, é que nos deixa rapidamente secos, sem energia moral, e bastante incapaz para exercer a liderança. (Havard)

Os líderes têm de ser virtuosos para serem líderes reais e, já que a virtude é um hábito que se adquire com a prática, dizemos que os líderes não nascem eles se fazem.

E o que significa virtude?

As virtudes são mais que simples valores. As virtudes são forças dinâmicas. De fato, sua raiz em latim, «virtus», vem de força ou poder. Cada uma se é praticada habitualmente, reafirma progressivamente a própria capacidade para atuar.

Havard indica seis virtudes de forma especial. A magnanimidade, para lutar por coisas grandes e propor desafios a si mesmo e aos demais. A humildade, para superar o egoísmo e acostumar-se a servir os outros. A prudência, para tomar decisões justas. A valentia, para manter-se e resistir a todo tipo de pressões. O autocontrole, para subordinar as paixões ao espírito e ao cumprimento da missão, e a justiça, para dar a cada um o que merece. (Havard)

- A magnanimidade do líder está dirigida a servir os outros, sua família, clientes, colegas, seu país e toda a humanidade.
- Esta nobre ambição para servir é um dos frutos da linda virtude da humildade. As virtudes não tomam o lugar da competência profissional, mas são parte desta.
- Posso ter um diploma em psicologia e trabalhar como consultor, mas se não tenho prudência, eu me encontrarei com dificuldades para dar conselho a meus clientes.
- Posso ter um MBA [mestrado em administração de empresas] e ser um executivo de uma grande corporação, muito bem, mas se não tenho valentia, minha capacidade para liderar ante a dificuldade deixa a desejar. (Havard)

A liderança não exclui ninguém. A virtude é um hábito e se adquire por repetição.

Pode ser duro viver virtuosamente no contexto cultural atual, mas não é impossível. A capacidade de dizer «não» nos confere um grande poder. Somos livres para decidir até que ponto deixamos que a cultura atual nos afete.
Escolhemos livremente ser o que somos. Vício ou virtude? Depende de nós. A virtude implica e depende da liberdade. Não se pode forçar, é algo que escolhemos livremente. Se as praticamos assiduamente, o caminho para a liderança está aberto. A liderança começa quando usamos nossa responsabilidade livremente. (Havard)

Gente, pode até não parecer ser um texto com caráter religioso, mas é! Nós quanto pessoa cristã seriamos muito mais sucedidos na vida e na caminhada com a Igreja se alcançarmos sermos virtuosos.
Quero me motivar e motivar você, à busca dos valores e das virtudes que nos façam verdadeiros lideres.

Marcelo Pereira

quarta-feira, 23 de abril de 2008

FUGINDO DA ZONA DE CONFORTO

Um dos maiores inimigos da significativa realização é o conforto.

A maioria das pessoas estão tão preocupadas com a sua zona de conforto a ponto de não estarem dispostas a fazer aquilo que é necessário para serem bem sucedidas.

Ter que se defrontar com certas pessoas, aprender uma nova habilidade, apresentar as suas idéias, assumir riscos, trabalhar duro – tudo isto – é muito desconfortável, porém, absolutamente necessário na caminhada para uma vida bem sucedida.

Você tem que decidir se deseja uma vida de conforto ou uma vida de realizações.

Você pode ter qualquer coisa, fazer qualquer coisa, e ser aquilo que deseja ser, se simplesmente estiver disposto a dar um passo para fora da sua zona de conforto e tomar as decisões que, necessariamente, devem ser tomadas.

Dê uma boa examinada nas coisas que você faz todos os dias e pergunte a você mesmo por que é que está fazendo essas coisas.

Você as faz porque é familiar, confortável e por que oferecem segurança?

Você, porventura, se encontra ansioso em sair da sua aconchegante zona de conforto?

Porventura tem você evitado fazer certas coisas porque isso pode lhe causar um certo desconforto?

Não permita que você venha ficar muito confortável.

Um curto período de desconforto é muito melhor do que uma vida inteira de olhar desolador ao passado.

Texto de Nélio da Silva

segunda-feira, 10 de março de 2008

O Fundidor

São muitas as formas que a Bíblia tem para revelar a maneira que Deus trabalha na construção do seu Reino.
A Bíblia revela as múltiplas habilidades de Deus conhecedor de uma variedade de funções tal como; pai, pescador, construtor, administrador, carpinteiro, médico artista, escritor e tantas outras profissões, mas que me saltou aos olhos uma outra habilidade de Deus expressiva no livro do profeta Malaquias 3,3 “Porque ele é como o fogo do fundidor, como a lixívia dos lavradores. Sentar-se-á para fundir e purificar a prata; purificar os filhos de Levi e os refinará, como se refina o ouro e a prata”.
Providencialmente eu ouvi uma pessoa dizendo que também lhe chamara a atenção está especialidade de Deus como fundidor ao ler na Bíblia, e que lhe despertou a curiosidade de saber mais a fundo como funciona de fato a purificação do ouro e da prata. E lá foi ele em busca de aprofundar no tema. Explicava ele.
“Fui a uma funilaria e pedi autorização para acompanhar de perto o processo de purificação, me vesti com uma roupagem especial e me pus a acompanhar um homem também muito bem protegido por causa da alta temperatura, e ali segurando uma haste (uma espécie de concha gigante) onde estava uma quantidade de prata a uma temperatura muito alta no fogo. Observei atentamente, hora olhando para o rosto do fundidor, hora olhando para a prata, mas ao mesmo tempo tentando lhe fazer algumas perguntas. O fundidor por sua vez até respondia algumas das minhas perguntas, mas em momento algum ele desviava seus olhos da prata ao fogo. Na minha ignorância, pensei que aquele homem estava fazendo pouco caso de mim, mas a um determinado momento o fundidor se virá para mim dizendo: pronto, agora a prata está purificada, e indagou; me perdoe não ter te dado toda a atenção, mas é que o segredo da purificação da prata está justamente em conservar sempre fixo os olhos na prata até que ela reflita a mim mesmo, a minha imagem como que um espelho. Enquanto meu rosto não refletir na prata ela ainda não está purificada e também ela não pode passar do ponto, pois se não perde-se a prata. Foi por isso que eu não pude olhar para o senhor, disse o fundidor”.
Veja, que exemplo maravilhoso, Deus esta com os olhos fixo em nós, o tempo todo e só descansará quando estivermos refletindo a sua imagemem nós. Nós somos a “prata”, Deus é o fundidor e o fogo são as provações da vida. O nosso processo de purificação é diário e se passam em alta temperatura das diversas tribulações, sacrifícios e sofrimentos que vivemos. Tudo isso para alcançar o ponto exato da nossa purificação e só iremos descansar quando estivermos refletindo a imagem do grande fundidor que é Deus em nós.
Santo Agostinho diz que: “Quem está longe de Deus está longe de si mesmo, alienado de si mesmo, e só pode encontrar a si, se se encontrar com Deus”.
Neste sentido podemos dizer que quando uma pessoa se aproxima de nós ela precisa ver em nós ela mesma, pois o sinal de uma pessoa que encontrou a Deus, é quando ela encontra-se com sigo mesma. Estranho né, mas é isso mesmo!
Deus tem razão em se especializar em purificar a prata, pois somos mesmo muito semelhantes a prata e necessitados de purificação. É muito triste constatar que quando uma pessoa se aproxima de nós, não refletimos Deus nem ela e nem nós mesmos. Este é um sinal que estamos muito longe de Deus e alienados de nós mesmos.

Certamente Jesus não teve tempo de explicar sobre a purificação da prata no seu discurso “Sermão da Montanha” que só os puros verão a Deus Mat 5,8.

Enquanto estivermos em processo de purificação, a imagem de Deus será turva em nós. Por isso Senhor é que te pedimos a graça de agüentar firme no fogo da provação e que nada nos impeça de chegarmos ao ponto de refletirmos em nós a tua própria imagem, pois só os puros é que verão a Deus.

Deus abençoe você
Marcelo Pereira

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Oscar na visão da Igreja


L’osservatore Romano afirma que oscar 2008 foi marcado por filmes obscuros, violentos e sem esperança
Fevereiro 26, 2008

Cidade do Vaticano, - O jornal vaticano, L’Osservatore romano, publicou na sua edição desta segunda-feira uma crítica à noite do Oscar, em Hollywood, e a visão “decididamente pessimista que os Estados Unidos dão de si mesmos”.

”Hollywood foi atingida este ano por filmes obscuros, repletos de violência e, sobretudo, sem esperança. Provavelmente, são sinais dos nossos tempos”, escreve L’Osservatore.

Sobre a premiação dos filmes “Onde os fracos não têm vez” e “Sangue Negro”, o jornal vaticano considera que se trata de ”duas visões do mal que se confrontam, dois modos de contar a malvadeza por meio de imagens”.

Todavia, o diário comenta que não faltaram filmes “capazes de expressar emoções diferentes, com corajosas aberturas, como ‘Juno’, que narra a história de uma adolescente decidida a levar adiante uma gravidez indesejada, ou ‘O escafandro e a borboleta’, um hino à vida apesar de uma grave deficiência”.
fonte: Igreja Online

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Por que devemos cultivar a esperança?


Uma reflexão sobre a carta encíclica "Spe Salvi" de Bento XVI

Olhando o mundo que vivemos hoje constatamos uma dramática crise existencial, onde o homem se depara diante do espelho e não consegue mais reconhecer a sua própria identidade, quem ele é, de onde ele vem, se o que ele faz tem sentido e para onde ele se destina. O homem moderno cresce no conhecimento da ciência, da tecnologia, no desenvolvimento intelectual, socio-cultural e político, mas se perde fatalmente no conhecimento de si próprio.


A visão teológica e analítica do Papa Bento XVI em sua carta Encíclica "Spe Salvi", aponta para a terrível catástrofe que a cultura globalista e as iniciativas políticas inovadoras, mas sobre tudo anticristã, vem transformando o mundo atual em uma fanática cultura sombria de morte, empurrando assim o homem para um vale escuro, ausente de luz e da verdade.Os reais valores que diz respeito à dignidade do homem, como a “moral” e a “fé”, estão se tornando apenas ruínas na nossa vida, escombros de uma identidade perdida que deveria ser preservada pela "fé"e pela "esperança" muito bem explicada pelo papa nesta encíclica Spe Salvi. Uma vez que o homem perde este referencial “que é a sua identidade”, ele perde também a direção da sua vida, o sentido de viver, entrando assim em um grande desespero onde nem mesmo Deus justifica sua existência.Bento XVI refere-se a um pensamento de Santo Agostinho, que parece ser um dos seus autores prediletos que, “quem está longe de Deus também está longe de si mesmo, alienado de si mesmo, e só pode encontrar a si mesmo se se encontra com Deus”, S. Agostinho. Isto explica o grau de desespero que se encontra a humanidade. A distância de Deus equivale, portanto, à distância de si mesmos. «“Tu estavas, certamente, diante de mim, mas eu me havia afastado de mim mesmo e não me encontrava»“ S. Agostinho


Sem fé e sem esperança como explica Bento XVI nesta encíclica Spe Salvi, é impossível para o homem chegar ao seu destino. Em outras palavras; sem Deus o homem deixa de existir, pois a nossa existência só tem finalidade em Deus.“Somente em Deus o homem consegue chegar a seu verdadeiro eu, sua verdadeira identidade.” Bento XVI


veja a carta encíclica Spe Salvi na integra aqui:http://blog.cancaonova.com/fatimahoje/spe-salvi/


Reflexão: Marcelo Pereira

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

“O Caçador de Pipas”

A minha opinião a respeito da amizade e de ser um verdadeiro amigo, mudou depois que eu assisti o filme “O Caçador de Pipas”.
Se trata de um filme ultraortodoxo islâmico do Talebã, que revela os conflitos da guerra no Afeganistão, mas que, centraliza o ápice do seu roteiro em torno da amizade de dois garotos: Amir, um garoto rico (interpretado por Zekiria Ebrahimi, que hoje tem 11 anos), e Hassan, filho de um serviçal pobre. A profundidade da trama do filme colocou a AMIZADE no mais alto nível das virtudes no relacionamento entre duas pessoas. Estamos vivendo uma época em que as nossas carências pessoais tem tornado nossos relacionamentos em um verdadeiros conflito em torno da fidelidade e da confiança, onde aquela idéia que “aquele que encontrou um amigo encontrou um tesouro” ou “o amigo é aquele que é capaz de dar a vida por você”, está filosofia já não faz mais parte da linguagem cativante do “Pequeno Príncipe”, que dizia: “Cativar é criar laços”. Infelizmente a nossa inocência de amar, de cativar o outro, de conquistar amizades profundas tem nos deixado num mundo interior solitário e escuro.
“O Caçador de Pipas” representa um suspiro, um grito de socorro a meio a esta turbulência que nos contagiou e que revela grandes feridas do nosso coração. Hassan, com um caráter e com uma dignidade invejável, se torna um ícone do amigo verdadeiro, um símbolo da perfeita amizade e um exemplo seguro que podemos seguir para alcançar a virtude do amor e da humildade. Já Amir, representa o homem ferido, machucado, incapaz de reconhecer seu próprio medo, sua própria fraqueza e de assumir que nunca é tarde para ser bom, para fazer o bem e ter uma consciência honrosa.
O filme é tão impactante que os meninos que o protagonizaram tiveram de fugir do Afeganistão, depois de terem sido ameaçados por seus compatriotas. Isso porque uma cena de abuso sexual enfureceu parte da população islâmica local. O lançamento do filme foi adiado em seis semanas para dar tempo suficiente para a mudança dos atores-mirins para fora do país.

Em fim, este filme demonstra que o perdão e a possibilidade de mudanças é possíveis no mundo de hoje, e que todos nós temos necessidade de amar e expressar este amor pelo outro que passa pelos trilhos da amizade e que tem como destino a conquista do amigo, do amigo puro, verdadeiro e fiel.
Depois de assistir este filme eu diria que: “Quem encontrou um amigo, encontrou o remédio para suas feridas e uma motivação para recomeçar uma nova história”.

Marcelo Pereira

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A Cruz é o único caminho que leva à vitória do amor sobre o ódio


A Quaresma chama a lutar contra o mal, empunhando como arma a cruz de Cristo, que vence o ódio com o amor, explicou neste domingo Bento XVI.
«Entrar na Quaresma», declarou antes de rezar o Angelus, «significa começar um tempo de particular compromisso no combate espiritual que nos opõe ao mal presente no mundo, em cada um de nós e ao nosso redor».
Explicou que «quer dizer olhar o mal de frente e dispor-se a lutar contra seus efeitos, sobretudo contra suas causas, até a causa última, que é Satanás».
Entrar na Quaresma, insistiu, «significa não descarregar o problema do mal sobre os demais, sobre a sociedade, ou sobre Deus, mas há que reconhecer as próprias responsabilidades e assumi-las conscientemente».
Nesta luta, o cristão recebeu de seu mestre uma arma, seguiu indicando o bispo de Roma, «carregar cada um sua própria “cruz”».
A «cruz», declarou, «por mais pesada que seja, não é sinônimo de desventura, de uma desgraça que deve ser evitada o máximo possível, mas uma oportunidade para seguir Jesus e deste modo alcançar a força na luta contra o pecado e o mal».
«A Cruz é o único caminho que leva à vitória do amor sobre o ódio, da generosidade sobre o egoísmo, da paz sobre a violência».
«Desta perspectiva, a Quaresma é verdadeiramente uma ocasião de intenso compromisso ascético e espiritual fundamentado sobre a graça de Cristo», concluiu Bento XVI.
fonte: Zenit

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Em qual direção está o homem?


Em qual direção você está?
O Papa João Paulo II, por ocasião de sua visita ao Santuário de Fátima no ano de 1982, disse em sua homilia: “Apresenta-se com ansiedade, a fazer a re-leitura daquele chamamento materno à penitência e à conversão, daquele apelo ardente do Coração de Maria, que se fez ouvir aqui em Fátima. Sim, relê-lo, com o coração amargurado, porque vê quantos homens, quantas sociedades e quantos cristãos foram indo em direção oposta àquela que foi indicada pela mensagem de Fátima”. Em outras palavras. Muitos males posteriores a isso poderiam ter sido evitado, se o pedido materno de Maria à penitência e à conversão fosse atenciosamente acolhido no coração de cada homem. Pois sabemos que, “O salário do pecado é a morte…” (cf. Rom 6,22), e o mundo de hoje, colhe os frutos desta desobediência, perdendo a fé em um Deus pessoal, vai se naufragando para sua ruína total. Vivemos numa sociedade que julga possível viver sem Deus. O resultado está à vista. A perda de referências, a desorientação moral, a manutenção dos males no meio de abundantes recursos disponíveis, tudo isso aniquila a existência de Deus na vida do homem. Poderíamos até dizer assim; que o mundo abandonou a Igreja, mas a Igreja não abandonou o mundo. A prova é que, por meio de Maria, nossa medianeira, Jesus há de nos resgatar deste mau, da perca total de Deus, e nos reconduzir novamente ao Pai, que nos espera de braços abertos por toda a eternidade.
São Luís Grignion de Montfort já dizia no século XVIII que, “a devoção à Virgem crescia com os fins dos tempos, que o progresso desse culto era um sinal desse fim dos tempos”. Acredito profundamente nesta prófecia e estou convicto que o progresso desta devoção a Nossa Senhora, já é uma evidência quando analizadas sob um olhar escatológico. “Mas na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria deve ser conhecida e revelada pelo Espírito Santo. Através dela fará conhecer, amar e servir Jesus Cristo, uma vez que já não subsistem as razões que O levaram a ocultar, durante a vida, a Sua Esposa, e a revelá-la, só muito pouco, após a sua pregação do Evangelho”. (S. Luís Grignion de Montfort). Com o olhar de Maria é possível ver aonde falta o vinho da fé e do amor no coração do homem. Por meio do seu Imaculado Coração, é possível continuar mantendo acesas as chamas do nosso batismo, mesmo quando nos deparamos com os acontecimentos catastróficos do nosso tempo e do triunfo do ateísmo.


Marcelo Pereira